Perfil de Usuários de Ambulatório Trans e Desmistificação Vulnerabilidade para o HIV/AIDS

Vol 1, 2018 - 94408
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Resumo

INTRODUÇÃO: Embora tenha sido sistematicamente omitida de todos os boletins epidemiológicos do Ministério da Saúde (MS), estudos com transgêneros colocam essa população como a mais vulnerável para o contágio com HIV/AIDS. Comparadas com a população em geral, as mulheres trans teriam 48,8 vezes mais chances de contrair a infecção. Existe um impacto relevante do preconceito e da discriminação das pessoas trans para a infecção com o HIV, que integram dimensões individuais ou comportamentais, sociais ou contextuais e as programáticas ou institucionais, seja no acesso à saúde, ao mercado de trabalho ou à experiência direta de violência e discriminação. MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo exploratório, no qual objetivou identificar o perfil e a vulnerabilidade de transgêneros/transexuais ao HIV/AIDS. Foi realizado em um Serviço Ambulatorial Especializado para atendimento ao usuário Trans de um município do estado de Sergipe. A pesquisa e a coleta de dados foram realizadas no período de julho de 2018, através da análise de prontuários. Foram abordadas variáveis de aspectos sociodemográficos e a identificação de soro positividade em 112 usuários atendidos. A pesquisa foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 48581715.3.0000.5546). A todos os participantes foram assegurados o caráter sigiloso dos dados e o anonimato na identificação. RESULTADOS: Desses, 59 (52,67%) autodeclaram-se mulheres trans e 53 (47,33%) homens trans. A média de idade é de 28 anos. Sendo 57 (50,9%) residentes no município de Aracaju; 10 (8,9%) de Lagarto; 45 (40,2 %) de demais municípios. Do total, 73 (65,2%) estão em alguma terapia de hormonal. Para atender ao objetivo, apenas 2 (1,78%) usuários são soropositivos. DISCUSSÃO: As variáveis contidas no quadro da vulnerabilidade são descritas em trabalhos como: a forma de exposição ao HIV; barreiras no acesso a serviços de saúde relativos ao HIV e específicos para pessoas trans; experiências de discriminação; peculiaridades em relação ao comportamento sexual, dependendo do tipo de parceiro, seja ele fixo, casual ou comercial; a dificuldade de acesso ao mercado formal de trabalho e à educação. Outras dimensões são moderadoras: a escolaridade; suporte social; idade; uso de drogas; e, o tratamento hormonal (relacionada com uma maior probabilidade de contaminação por HIV pelas mucosas). Recentemente, o MS, lançou a cartilha: Homens trans: vamos falar sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis? (2018). Trata-se da primeira publicação voltada exclusivamente à saúde sexual de homens trans.CONCLUSÃO: Embora a alta prevalência da infecção por HIV entre as pessoas trans seja comumente assumida, muito pouco se sabe sobre as reais taxas de infecção. Tal informação é essencial, tanto para identificar com mais precisão os grupos dentro das comunidades trans que estão em maior vulnerabilidade, como para evitar a manutenção de estereótipos, de forma a melhorar as políticas de saúde e assim, reduzir a vulnerabilidade.

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Sergipe
Eixo Temático
  • Trabalho Cientifico