Desfechos em pacientes com HIV em terapia de resgate com Raltegravir

Vol 1, 2018 - 94397
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Resumo

Introdução:A terapia antirretroviral (ARV) combinada tem mostrado ao longo do tempo uma progressiva eficiência terapêutica assim como um aumento significante da sobrevida com diminuição dos riscos de doenças relacionadas à infecção pelo HIV. Contudo, observa-se ainda hoje uma significante incidência de falha virológica e resistência à terapia antirretroviral como consequência de diversos fatores, mas principalmente a não adesão ao tratamento. O uso de novos ARVs como parte da terapia de resgate representa um avanço para pacientes com resistência a múltiplos ARVs. O ARV Raltegravir foi o primeiro inibidor de integrase utilizado na rotina com excelente resposta virológica. Objetivo:Avaliar os desfechos clínicos (sobrevida, toxicidade e outros) em pacientes com falha virológica após troca de terapia ARV guiada por genotipagem indicando o uso do Raltegravir ou outras drogas de terceira linha. Métodos:Foi revista uma coorte de 167 adultos com falha virológica acompanhados no Complexo Univ. Hospitalar Prof. Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia de janeiro 2006 a dezembro 2016. Falha virológica foi definida como carga viral > 1000 cópias/mL. Outras drogas de terceira linha foram Darunavir/Ritonavir (40), Maraviroc (2), Etravirina (2) ou Enfuvirtide (1). Foi avaliada a “mortalidade por qualquer causa” utilizando Kaplan-Meier não ajustado e o modelo ajustado de riscos proporcionais de Cox utilizando o SPSS18.0. Resultados:122 pacientes receberam Raltegravir e 45 outras drogas de terceira linha. Foram seguidas um total de 750 pessoas-ano e a média de acompanhamento foi de 4,5 anos. A taxa de mortalidade na coorte foi de 1.2/100 pessoas/ano. As características basais independentemente associadas à sobrevida foram: o número de falhas virológicas prévias [HRAj=3,3; IC95%=1.3-8.3], índice de massa corpórea (IMC) [HRAj=0.7; IC95%=0.5-0.9] e o diabetes mellitus tipo 2 (DMT2) [HRAj= 23.8; IC95%=2.4-238.4]. Sobrevida foi semelhante para o uso de Raltegravir ou outras drogas de terceira linha [HRAj=0.6; IC95%=0.5-7.4]. Não foi achada diferença na ocorrência de falha terapêutica entre os grupos [Log-Rank p=,88]. A proporção de toxicidade (todos leves) foi similar entre os grupos de tratamento. Discussão: Nossos achados sugerem que os pacientes tratados com Raltegravir ou outras drogas após falha virológica tiveram resposta semelhante em termos de sobrevida, falha virológica e toxicidade. Contudo, as caraterísticas basais dos pacientes, como número de falhas virológicas prévias, IMC e a presença de DMT2, influenciaram significativamente na sobrevida. Conclusões:fatores pessoais dos pacientes são importantes preditores de mortalidade o que deve ser levado em conta para introdução de uma terapia de resgate.

Instituições
  • 1 Universidade Federal da Bahia
Eixo Temático
  • Trabalho Cientifico