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A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, HIV, pode ser considerada um dos principais fatores de risco para que indivíduos infectados por Mycobacterium tuberculosis desenvolvam tuberculose doença. Tanto na infecção recente quanto na latente, o risco aumenta à medida que a imunossupressão se estabelece. A comorbidade tuberculose/HIV acirra a convivência dos pacientes com as duas doenças. Trata-se de enfermidades que a priori se aproximam pelo caráter de cronicidade e, portanto, da necessidade de cuidados específicos e de longo tempo. Assim, este estudo tem por objetivo analisar os aspectos epidemiológicos relacionados aos casos de tuberculose coinfectados com o HIV na Bahia. Trata-se de um estudo descritivo dos casos confirmados de tuberculose coinfectados com HIV, independentemente de terem desenvolvido AIDS, notificados e registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A população deste estudo é constituída por casos diagnosticados em residentes do estado da Bahia entre os anos de 2007 a 2017. Foram incluídos os pacientes com diagnósticos confirmados com tuberculose e sororreagentes para o HIV, sendo excluídos aqueles cuja variável ‘HIV’ foi preenchida como negativa, não realizada, em andamento, ou deixada em branco. Foram notificados 70.057 casos de tuberculose no estado da Bahia nos anos do estudo, sendo registrados 4.378 casos de coinfecção tuberculose/HIV, o que corresponde ao percentual de 6,24% de coinfecção. A forma pulmonar da doença foi apresentada por 75% dos indivíduos e a forma extrapulmonar em 18% dos coinfectados. A forma ganglionar periférica foi à forma extrapulmonar mais prevalente (39%). O percentual de cura no período foi de 40% e a taxa de abandono do tratamento foi de 14%. A interação existente entre o Mycobacterium tuberculosis e o HIV resulta em progressão mais rápida tanto da tuberculose como da imunodepressão causada pelo HIV, o que pode tornar o diagnóstico de tuberculose mais difícil nestes pacientes, em virtude da possibilidade de modificação do quadro clínico e radiológico em razão da imunodeficiência. Ambas as doenças estão concentradas em áreas de pobreza, onde existem recursos mínimos para o diagnóstico, tratamento e controle da infecção. Ressalta-se que o agravamento das condições sociais e econômicas resulta em uma degradação significativa das condições de vida, aumentando a vulnerabilidade e, consequentemente, o risco de adoecer por tuberculose/HIV. Os resultados encontrados neste estudo revelam que 6,24% dos indivíduos com tuberculose na Bahia estão coinfectados com o vírus HIV, o que evidencia sua relevância epidemiológica para a saúde pública. Apesar de ser a tuberculose uma doença passível de prevenção e de cura, ela ainda constitui-se como uma fonte de preocupação no cenário baiano e brasileiro. Dessa forma, este estudo tem a finalidade de contribuir para o conhecimento dos principais aspectos epidemiológicos da coinfecção tuberculose/HIV no estado da Bahia do Brasil.
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