MICROBIOLIZAÇÃO DE SEMENTES DE TRIGO COM RIZOBACTÉRIAS PARA TESTE DE ANTAGONISMO A Pyricularia grisea
O estabelecimento inicial de uma lavoura depende essencialmente da eficiência fisiológica das sementes utilizadas, recomendando-se muitas vezes o tratamento destas, visando preservar e/ou aperfeiçoar o desempenho das sementes. Da mesma forma, como uma alternativa para a redução ou substituição do uso de produtos químico sintéticos, vem-se estudando a aplicação de organismos vivos nas sementes (microbiolização), como as rizobactérias promotoras de crescimento vegetal (PGPR), que dentre suas atividades indiretas podem suprimir microrganismos patogênicos como a brusone do trigo, causada por um fungo chamado Pyricularia grisea. Sendo assim, neste trabalho foram avaliadas rizobactérias nativas da região Oeste do Paraná, dos gêneros Pseudomonas (39, 103, 118 e143), Bacillus (81 e 188) e Enterobacter (203, 208 452 e 493), juntamente com uma estirpe padrão de Azospirillum, em antagonismo ao fungo P. grisea, coletado na região de Londrina, e utilizando sementes de trigo da cultivar CD105. Para a microbiolização, as estirpes crescidas foram diluídas em solução salina, e as sementes mergulhadas durante 3 minutos sobre agitação e temperatura ambiente. Para avaliar a eficiência dos bioprotetores, utilizou-se também o fungicida Spectro®. Discos de seis milímetros contendo o fungo foram colocados no centro de placas de Petri com meio BDA, enquanto duas sementes foram dispostas equidistantes, próximas a borda da placa. O material foi incubado durante 10 dias, e posteriormente mensurado em centímetros o crescimento da colônia, classificando o antagonismo como fraco (7-5 cm), médio (5-3 cm) e forte (<3 cm). As estirpes de Pseudomonas e Enterobacter mostraram-se bastante promissoras na redução do crescimento micelial do patógeno, em especial o isolado 208, com o diâmetro do fungo de 2 cm, igualando-se ao controle químico. No entanto, as demais estirpes não foram boas candidatas à promoção do crescimento indireto, pois apresentaram antagonismo médio a fraco. Apesar do resultado positivo para algumas estirpes, nenhum deles formou halo de inibição, apresentando apenas um crescimento agressivo que não permitiu o desenvolvimento do fungo. Deste modo, faz-se necessário estudos sobre perfil químico de metabólitos secundários produzidos por estes microrganismos com o objetivo de identificar os compostos ativos.