CARACTERIZAÇÃO DO BIOFILME MISTO ENTRE Streptococcus agalactiae E Candida albicans.
A microbiota normal vaginal é composta por vários microrganismos comensais, entre eles Candida albicans e Streptococcus agalactiae, no entanto, em situações que alteram o sistema imunológico, estes podem causar infecções. Adicionalmente, estes microrganismos podem formar biofilmes na superfície de mucosas (nos eventos de colonização ou infecção), contribuindo para a sua persistência no hospedeiro. A colonização da mucosa vaginal de mulheres grávidas é um fator de risco importante para a transmissão destes microrganismos aos recém-nascidos, provocando significante morbidade e mortalidade entre essa população. Além disso, os biofilmes apresentam resistência aos antimicrobianos e aos mecanismos de defesa do hospedeiro, dificultando o tratamento das infecções. O presente trabalho teve como objetivo caracterizar fenotipicamente o biofilme misto entre S. agalactiae (ATCC 13813) e C. albicans (ATCC 26790) in vitro no meio TSB pH 6,5. Inicialmente foi analisado o antagonismo entre as duas espécies utilizando discos de papel impregnados com diferentes concentrações do sobrenadante (puro, 1:2, 1:4; 1:8, 1:16) de cultura de S. agalactiae sobre o crescimento de C. albicans, bem como o inverso. A cinética de crescimento do cocultivo foi analisada pela contagem direta de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) durante 24 horas. A formação do biofilme misto foi monitorada pela quantificação da biomassa utilizando-se cristal violeta 0,4% nos tempos 24 e 48 horas. A viabilidade das células do biofilme foi analisada utilizando-se o ensaio de redução do XTT e contagem de UFC nos tempos 90 minutos, 24 e 48 horas. Os resultados foram analisados e comparados estatisticamente utilizando biofilmes das espécies formados isoladamente como controles. Microscopia eletrônica de varredura (MEV) foi realizada para a análise da estrutura do biofilme misto nos tempos 24 e 48 horas de formação. Os resultados indicam que não há antagonismo entre as espécies e quando associadas apresentaram maior formação do biofilme (p<0,05). Após 48 horas de incubação, as duas espécies encontram-se viáveis no biofilme maduro, que consiste em uma densa rede de células leveduriformes e bacterianas. Em conclusão, S. agalactiae e C. albicans podem coexistir no biofilme abrindo perspectivas para análises dos fatores envolvidos na formação do biofilme entre ambas as espécies.