BIOSSORÇÃO COMO ESTRATÉGIA PARA O TRATAMENTO DE EFLUENTES AQUÁTICOS COM FUNGOS DA PODRIDÃO BRANCA DA MADEIRA.
Os problemas ambientais vêm crescendo de forma exponencial, acarretando inúmeros impactos ao ecossistema. O ramo têxtil se destaca pelo maior volume de efluentes, liberando nos corpos d’água corantes que não se fixam às fibras durante o tingimento. Além da cor na água, os corantes afetam os processos de fotossíntese e os subprodutos de algumas classes, como os azocorantes, foram descritos como carcinogênicos e mutagênicos. A adsorção é uma forma promissora de tratar poluentes orgânicos não biodegradáveis e a capacidade de adsorção de vários tipos de materiais biológicos tem sido descrita. Os fungos da podridão branca da madeira são uma alternativa para a biodescoloração, biodegradação e biossorção de poluentes de solo e água contaminados. O presente trabalho avaliou a capacidade de um isolado de Trametes sp. (C3) em descolorir e biossorver o corante Reactive Blue 268. Para produção de pellets o fungo foi cultivado em meio líquido de extrato de malte. Os pellets foram colhidos assepticamente, lavados com água estéril e distribuídos em frascos contendo 25 mL de meio de Vogel-glicose (1%) e o corante (100 mg/L). Os frascos permaneceram sob agitação (120 rpm, 28ºC) por até 3 dias e os cultivos interrompidos por centrifugação. O sobrenadante foi usado para o cálculo de porcentagem de biodescoloração e determinação da atividade de enzimas ligninolíticas. O restante da biomassa foi inativado pelo calor. Parte dos pellets foi seca e triturada. A biossorção foi avaliada usando biomassa seca (100mg) e úmida (300mg) em fracos com corante (100mg/L). Após intervalos determinados, sob agitação, o sobrenadante foi analisado a 635nm. In vivo o fungo foi capaz de descolorir 93% do corante em 24h e a enzima lacase foi encontrada (2,4 U/L). Com 10 minutos a porcentagem de adsorção pela biomassa úmida foi de 40,1% atingindo 48,5% com 32h. A biomassa seca com 4h apresentou 49,3% de adsorção atingindo 54,5% com 32h. Os resultados demonstraram a maior eficiência da biomassa seca. Embora outros estudos sejam necessários o isolado C3 pode ser considerado um bom biossorvente para o tratamento de águas residuais que contenham este tipo de poluente.