ATIVIDADE ANTIMICROBIANA DE MEL DE Scaptotrigona bipunctata SOBRE CÉLULAS PLANCTÔNICAS DE ISOLADOS DE Streptococcus agalactiae.
A quimioprofilaxia intraparto recomendada para as gestantes colonizadas por Streptococcus agalactiae, ou Estreptococo do Grupo B (EGB), têm reduzido a infecção por EGB em recém-nascidos. Entretanto, a resistência à macrolídeos e lincosamidas, utilizados como alternativas, para gestantes alérgicas à penicilina, surgiram em diferentes regiões do mundo. Como consequência desse aumento de isolamento de bactérias resistentes aos antimicrobianos disponíveis no mercado farmacêutico são necessários estudos relacionados à obtenção e caracterização de novos compostos, sendo os produtos naturais fontes promissoras de novas substâncias para o tratamento de infecções. Assim, o objetivo do presente trabalho foi verificar a atividade antimicrobiana do mel produzido por abelhas sem ferrão (Scaptotrigona bipunctata) em isolados de EGB sensíveis e resistentes a eritromicina e/ou clindamicina. Nove isolados clínicos de EGB e S. agalactiae ATCC 13813 foram escolhidos a partir da coleção de bactérias do Laboratório de Microbiologia Clínica da Universidade Estadual de Londrina, sendo a cepa de referência e cinco isolados sensíveis e quatro isolados resistentes a eritromicina e/ou clindamicina. O método de microdiluição em caldo foi utilizado para determinar a concentração inibitória mínima (CIM) e, para determinar a concentração bactericida mínima (CBM), 10 µl de cada poço sem crescimento visível foi inoculado em ágar suplementado com sangue desfibrinado de carneiro. A concentração de mel testada variou de 0,15% a 20 %. O mel mostrou ação antimicrobiana contra todos isolados de EGB, sensíveis e resistentes a eritromicina e/ou clindamicina. A CIM do mel variou de 2,5% a 5% e a CBM variou de 2,5 a 10%. Os resultados mostraram que o mel produzido por Scaptotrigona bipunctata apresentou efeito bactericida em todos os isolados testados, independente do perfil de sensibilidade frente aos antimicrobianos comerciais.