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Enquanto ativo, o Programa Bolsa Família (PBF) contribuiu para a redução da insegurança alimentar no Brasil. Considerando a descentralização e o caráter intersetorial do PBF e os multideterminantes da segurança alimentar, é importante analisar os diferentes cenários de implementação do PBF não apenas pelos indicadores de gestão municipal mas também pela percepção dos participantes do programa.
Objetivos
Compreender a percepção dos adolescentes participantes do Programa Bolsa Família sobre o papel do programa para a garantia da segurança alimentar.
Metodologia
Pesquisa qualitativa proveniente de entrevista em profundidade com 10 adolescentes, entre 11 e 18 anos participantes do PBF, residentes em domicílios em situação de insegurança alimentar (IA) do município de Lavras (MG). A técnica de saturação de dados foi adotada como critério para definição do número de entrevistas. As entrevistas foram realizadas entre novembro de 2019 e fevereiro de 2020 e os resultados foram analisados a luz do referencial da análise de conteúdo, com apoio do software NVIVO, e apresentados em duas categorias: 1) “Estamos seguros?” e 2) “Bolsa Família e muito mais”. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa (2.400.572) e recebeu financiamento do CNPq.
Resultados
Categoria 1 “Estamos seguros?”: os adolescentes compreendem o papel do programa para garantia da segurança alimentar, e percebem as famílias participantes como ‘protegidas da fome’. No entanto, todos os adolescentes expressaram medo e preocupação com a possibilidade do alimento acabar em casa, e se preocupam com a escassez de outros recursos. Categoria 2 “Bolsa Família e muito mais”: os adolescentes reconhecem as limitações do Programa Bolsa Família se implementado como estratégia isolada para garantia da segurança alimentar, e apontam possibilidades e a urgência do desenvolvimento de outras ações estruturantes e intersetoriais em nível local.
Conclusões/Considerações
Adolescentes possuem consciência da situação de insegurança alimentar (IA) vivenciada no domicílio. A IA associa-se a prejuízos físicos, emocionais e mentais, comprometendo o crescimento e impedindo o alcance do potencial físico e cognitivo. A desigualdade social vivenciada pelas famílias do PBF demanda esforços para desenvolvimento de ações coerentes com as realidades locais e que sejam capazes de garantir cidadania e direitos sociais básicos.
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