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No Brasil, o primeiro caso confirmado de Covid-19 ocorreu no dia 01 de abril de 2020, em uma indígena da etnia Kokama. O elevado contágio, somado às questões históricas, sócio-ambientais, de governança e de acesso aos cuidados de saúde, que tornam as populações indígenas mais vulneráveis à Covid-19, contribuiu para desencadear ações por parte dos povos indígenas, que tem sido objeto de pesquisas.
Objetivos
O estudo teve como objetivo identificar estratégias e medidas de vigilância, prevenção e controle da Covid-19 realizadas por lideranças indígenas e grupos indigenistas organizados.
Metodologia
Revisão da literatura, em que foram selecionados artigos científicos, publicados entre 2020 e 2021, a partir da pergunta norteadora: Que estratégias de vigilância, prevenção e controle da Covid-19 foram desenvolvidas para os povos indígenas de modo a reduzir o seu risco/vulnerabilidade? Os termos Vigilância em saúde, COVID-19, população indígena, nortearam a pesquisa nas Bases de dados Scielo, BVS e BVS da Saúde dos Povos Indígenas. Dos 4.359 registros identificados, 64 artigos foram selecionados para a leitura aprofundada e análise. Os resultados apresentados se referem ao eixo ‘Organização comunitária e Covid-19: vigilância popular e iniciativas de autoproteção da população indígena’.
Resultados
A utilização das redes sociais buscaram tornar pública ações internas e promover a reflexão, com ampliação da crítica social sobre o avanço da doença e dos dados quantitativos oficiais. No que se refere à sub-notificação, destacam-se ações da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), como o lançamento de um boletim diário, o “Alerta APIB” e do site ‘Quarentena Indígena’. Algumas lideranças indígenas, no exercício de autonomia político-territorial, decretaram “Lockdown indígena”. Frentes foram organizadas para fornecimento de cestas básicas, máscaras confeccionadas por mulheres indígenas, além de utensílios de cozinha e eletrodomésticos necessários à produção de xaropes, pomadas e chás.
Conclusões/Considerações
Compreendemos que sistematizar as formas de organização dos povos indígenas no enfrentamento à Covid-19, contribui para dar visibilidade a esses povos, que são frequentemente negligenciados por parte do Estado brasileiro em suas demandas e em sua luta e busca por autonomia. O respeito às concepções e aos modos de vida próprios dos povos tradicionais são essenciais no enfrentamento às questões que os afetam, como a pandemia de Covid-19.
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