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O parto e o nascimento são eventos constituídos sócio/historicamente. Hoje é um procedimento hospitalar capitaneado pelo saber médico e, muitas vezes, cerceador do protagonismo da mulher. No Brasil, as taxas de cesarianas permaneceram por muitos anos numa média 50% nos serviços públicos e quase 90% nos serviços privados e isso releva a força das ações intervencionistas no parto.
Objetivos
Discutir aspectos sobre o nascimento no Brasil no que envolve o que os profissionais pensam, dizem e fazem no período antes e depois do nascimento.
Metodologia
Dados produzidos entre 2016 e 2019 através de grupos focais com pais e profissionais, entrevistas individuais com profissionais da saúde materna e infantil, com mães e pais que viveram a experiência do parto em cidade de médio porte do interior paulista. Diário de pesquisa também foi utilizado. Os grupos foram compostos de profissionais de serviços tradicionais e alternativos, de pais de diferentes extratos. Cada grupo reuniu-se três vezes. Aspectos éticos das pesquisas com seres humanos foram respeitados. Ocorreu uma análise cruzada entre os diferentes tipos de dados, entre serviços, entre grupos, de modo contínuo. O referencial teórico metodológico utilizado foi Análise institucional.
Resultados
A cesariana é uma intervenção salva vidas desde que adotada em situações específicas. A pesquisa confirma, em relação ao desfecho dos partos, que o argumento sustentado pelos profissionais e reproduzido por algumas mães era: “tudo é feito para garantir a segurança da mulher e para que o bebê possa nascer com saúde”. Reconhecem que em algumas experiências, já nas primeiras consultas, alguns profissionais já definiam o desfecho final. Com as pressões e as certificações hospitalares, os serviços são provocados a rever esta prática. Assim, a instituição saúde reforça seu lugar, incentiva a valorização dos atos medicais e deixa a mulher em segundo plano. Reforça o enquadramento institucional.
Conclusões/Considerações
Os partos cesarianos ganharam visibilidade positiva em alguns grupos sociais e passam a ser naturalizados como práticas de primeira escolha. Os discursos e práticas dos profissionais produzem a invisibilização do parto vaginal e na realidade brasileira se organiza uma marcada delineada pela forte influência dos modelos tecnocrático, com a proliferação das chamadas “epidemias de cesarianas”. Hoje ocorre um movimento de resistência a esta lógica.
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