JUVENTUDE, SAÚDE MENTAL E PROCESSOS DE SUBJETIVAÇÃO: O QUE OS SUICÍDIOS NOS CONTAM?

Vol 2, 2022 - 162039
Relato de Pesquisa
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Resumo

De acordo com a OMS (2019), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. Há um crescimento expressivo do suicídio entre os jovens, sendo atualmente a 2ª causa de morte mundial entre pessoas de 15 a 29 anos. O suicídio como saída põe em evidência um ato complexo, que demanda extrapolar o discurso psicopatologizante do ato e analisar a dimensão relacional do problema.

Objetivos

O objetivo do presente trabalho foi analisar o fenômeno do suicídio em sua interface com a juventude e os seus processos de subjetivação.

Metodologia

De abordagem qualitativa, foi realizada uma pesquisa crítica de revisão de literatura e documental do tripé suicídio, juventude e processos de subjetivação entre os anos de 2019 e 2020. Nesse sentido foram utilizadas fontes distintas: a) buscas de artigos em base de dados como Scielo e Google acadêmico – com as palavras: suicídio, suicídio e juventude, juventude e saúde mental, juventude e sofrimento psíquico; b) documentos como leis, portarias, decretos sobre suicídio no Brasil e a sua relação com a juventude ou instituições de educação que contemplam ess; c) casos e relatos de histórias em redes sociais.

Resultados

A epidemiologia mostra alinhamento com os determinantes sociais da saúde. O risco aumentado de suicídio apresenta-se nas populações e juventudes que sofrem maior violência e violação de direitos, haja vista que: 79% da carga global de suicídios ocorrem em países de baixa e média renda. Se designados os jovens, esses dados crescem para 90% (OMS, 2019); a cada 19 horas uma pessoa LGBTTQIA+ é vítima de assassinato ou suicídio (GRUPO GAY DA BAHIA, 2019); os indígenas se matam 3 vezes mais do que a população geral brasileira, destes casos, 75% representa a juventude (BRASIL, 2017); o risco de suicídio entre jovens negros é 45% maior quando comparado aos jovens brancos (BRASIL, 2018).

Conclusões/Considerações

Para uma compreensão ampliada do fenômeno, assim como ações e políticas efetivas de prevenção do suicídio, torna-se necessário apreender e visibilizar a interseccionalidade, as inscrições das marcas opressivas e os sofrimentos de origem racial, classista, cisheteronormativa, patriarcal, etc., que compõem os processos de subjetivação, que podem, em suma, despotencializar as vidas das juventudes.

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Eixo Temático
  • Eixo 13 - Interseccionalidades, lutas sociais e direitos humanos na saúde