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A literatura aponta que as equipes da Atenção Primária à Saúde demonstram dificuldades na integração de seus processos de trabalho, o que requer o fortalecimento da colaboração. Desenvolver o efetivo trabalho em equipe é uma necessidade premente para aderir melhorias no cuidado em saúde, sendo a interprofissionalidade uma abordagem paradigmática para promover maior integração no trabalho em saúde.
Objetivos
Analisar o trabalho em saúde desenvolvido por equipes multiprofissionais no âmbito da Estratégia Saúde da Família (ESF) e do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) do Recife, sob a perspectiva da Colaboração Interprofissional.
Metodologia
Trata-se de recorte de pesquisa de mestrado em saúde coletiva. Realizou-se estudo qualitativo, de cunho exploratório-descritivo, nos moldes da pesquisa no cotidiano (SPINK, 2007). O lócus de realização foi a rede de Atenção Primária à Saúde (APS) do Recife. Participaram profissionais de saúde de uma equipe NASF-AB, e das equipes da ESF por ela apoiadas, totalizando 16 interlocutores. A coleta ocorreu de abril a julho de 2021, utilizando entrevistas semiestruturadas e grupo focal. A análise foi guiada pelo Modelo de Estruturação da Colaboração Interprofissional, de D’Amour et al (2008), pautado em quatro dimensões: Visão e Objetivos Compartilhados, Internalização, Formalização e Governança.
Resultados
Os resultados demonstram que o trabalho em equipe é permeado por diversas nuances, envolvendo aspectos institucionais e relacionais que interferem na organização da oferta de cuidado nos serviços de saúde, bem como no desenvolvimento de práticas profissionais com maior ou menor integração. Foram destacadas dificuldades estruturais e falta de suporte por parte da gestão municipal, em especial, quanto ao apoio institucional. A falta de valorização e reconhecimento pelo trabalho desempenhado também foram citados. Apesar disso, identificou-se como iniciativas potenciais ao fortalecimento da colaboração: o apoio matricial, a integração ensino-serviço-comunidade e a educação permanente em saúde.
Conclusões/Considerações
A apreciação da colaboração interprofissional revelou fragilidades em todas as dimensões avaliadas pelo modelo adotado, com ênfase àquelas relacionadas aos aspectos organizacionais. Assim, as equipes pesquisadas estão ainda distantes de desenvolverem um efetivo trabalho integrado, requerendo a construção de possibilidades institucionais para que a sua atuação seja, de fato, interprofissional.
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