DESAFIOS DA COMUNICAÇÃO NO PROCESSO DE DATIFICAÇÃO EM SAÚDE: DO BIG DATA AO COLONIALISMO DE DADOS NA INDÚSTRIA 4.0

Vol 2, 2022 - 160937
Relato de Pesquisa
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Desde a chamada Revolução 4.0, uma quantidade cada vez maior de dados pessoais passou a circular nas redes telemáticas, alimentando algumas desigualdades na relação entre os usuários e as chamadas Big Techs. Nesse cenário, e especificamente na área de saúde, cresce a importância da interação entre essas corporações e os usuários de plataformas digitais destinadas ao grande público.

Objetivos

Estudar os desafios da comunicação no processo de datificação da saúde dos indivíduos.

Metodologia

Pesquisa bibliográfica exploratória e descritiva do processo de datificação da saúde. Analisam-se os malefícios e benefícios do processo de datificação à luz da teoria crítica, tendo como conceitos norteadores as noções de biopoder e de colonialismo de dados. A datificação na indústria 4.0 envolve procedimentos que transformam a ação social em dados on-line ou off-line quantificados, de forma estruturada ou não, permitindo que sejam monitorados em tempo real e submetidos a uma análise preditiva.

Resultados

Constatou-se que o processo de datificação em saúde traz malefícios para os usuários devido à falta de transparência na comunicação entre estes e as instituições que coletam informação. O resultado disso é a apropriação heterônoma dos dados dos usuários das plataformas em virtude das relações desiguais de poder que se estabelecem entre os atores envolvidos. Em contrapartida, há benefícios potenciais nesse processo, entre eles a melhora da saúde dos indivíduos e maior acesso à informação e ao conhecimento científico. Assim, o aspecto comunicacional ressaltado na lógica processual DICCA (ALAZRAQUI; MOTA; SPINELLI, 2006), pode ser uma luz a iluminar o processo de datificação em saúde.

Conclusões/Considerações

Os achados desse estudo sugerem a necessidade de repensar a comunicação no processo de datificação na indústria 4.0 mediante o fomento à criação de novas tecnologias nos países do hemisfério Sul e pelo combate ao colonialismo de dados, visando à redução das desigualdades sociais em saúde. Essas constatações podem ajudar na aplicação do marco referencial DICCA e na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e menos biotecnodependente.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • Eixo 12 - Informação, Comunicação e Saúde: diálogos sobre novos cenários e desafios para a Saúde Coletiva