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A violência autoprovocada é caracterizada por automutilação, com ou sem ideação suicida. Estimada como a terceira causa de óbitos entre adolescentes no mundo, há registros de 62 mil mortes em 2016. No Brasil, houve 15.702 notificações de 2011 a 2014, no qual passou a ser de notificação compulsória. Para cada suicídio, existe pelo menos 20 atos lesivos, sobrecarregando os serviços emergenciais.
Objetivos
Descrever as notificações de violência autoprovocada por adolescentes no Ceará, Brasil, no período de 2017 a 2021
Metodologia
Estudo epidemiológico, descritivo e com dados secundários do DATASUS. Foi realizado no mês de maio de 2022. A variável desfecho é a frequência de adolescentes de 15 a 19 anos, residentes no Ceará, com notificação de violência autoprovocada no Sistema de Informação de Notificação Compulsória (SINAN). As variáveis dependentes são ano de notificação e sexo, no período de 2017-2021. Os dados foram extraídos no TABNET e tabulados no Microsoft Excel® 2016. As análises foram efetivadas mediante estatística descritiva, com frequências absoluta e relativa, além do cálculo de prevalência. Não foi necessária a apreciação pelo Comitê de Ética em Pesquisa, porém o estudo obedeceu à Resolução nº 466/12.
Resultados
A violência autoprovocada correspondeu a 92.759 registros no SINAN, sendo 2.759 (22,6%) na faixa etária de 15 a 19 anos. O maior número de casos notificados foi em 2019, 870 (31,53%) registros, com destaque para os meses de setembro a novembro, que somaram 366 (13,3%). Durante a pandemia de Covid-19, 2020-2021, foram notificados 1.134 (41,1%) casos, com tendência linear de aumento temporal em 2021. A maior frequência dos registros, 1.969 (71,4%), foi de mulheres, 198 (67,1%) em 2017, 343 (74,6%) em 2018, 627 (72,1%) em 2019, 450 (69,8%) em 2020 e 351 (71,8%) em 2021. A prevalência geral para 100.000 habitantes foi de 3,4, sendo 1,9 para homens e 5,0 para mulheres.
Conclusões/Considerações
Como limitações, destacaram-se a possibilidade de subnotificação, desatualização dos dados de 2020 e informações incompletas de 2021, o que dificultou a análise do efeito da pandemia na ocorrência e notificação de violência autoprovocada entre adolescentes. Logo, é pertinente a articulação dos três níveis de governo na divulgação dos riscos, ações preventivas e fomento de políticas públicas que favoreçam cuidados em saúde mental.
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