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Resumo

O trabalho apresenta resultados da investigação sobre as políticas de saúde e estratégias de comunicação na mídia. Assim, analisa-se a informação produzida pela mídia online (Folha de São Paulo e Estado de Minas entre os anos de 2016 e 2019) - sobre o Sistema Único de Saúde e propõe reflexões acerca do oligopólio midiático no Brasil e suas externalidades políticas nas lutas da Saúde Coletiva.

Objetivos

Contribuir para a compreensão dos impasses que a comunicação representa para a formação de uma opinião pública democrática em torno do Sistema Único de Saúde.

Metodologia

Realizou-se o levantamento de notícias e a construção de um banco de dados com as notícias sobre o SUS totalizando 646 notícias. A tabulação e categorização das notícias se deu a partir da leitura na íntegra de todas as notícias identificadas, selecionadas e filtradas, tendo em vista sua adequação ou não aos objetivos da pesquisa. Após a seleção foi realizada a análise dos textos, o que permitiu classificar em relação ao tema e sentido atribuído ao uso do SUS. Foi possível categorizar as publicações por data, tipo, abrangência, tema e valência (que considerou como as publicações caracterizavam o SUS de forma ‘positivas’,‘negativas’,“ambivalentes” e “neutras”).

Resultados

Das 646 reportagens analisadas, 46,13% apresentaram uma abordagem negativa do SUS, 20,43% tiveram uma abordagem neutra, 16,56% foram ambivalentes, e apenas 16,87% trataram de aspectos positivos do sistema de saúde. Por outro lado, a comunicação pública em saúde tem sido aplicada a situações de saúde pública que exigem atenção e medidas individuais a serem adotadas pela população (KUCINSK, 2007). Há pouca inovação em torno da forma de comunicar sobre a saúde. A comunicação pública em saúde segue condicionada às bases higienistas e preventivistas do início do século XX, que pensam a comunicação apenas como uma estratégia sazonal ou emergencial (ARAÚJO et al., 2019).

Conclusões/Considerações

Os achados desse estudo fortalecem o argumento de que a percepção negativa construída sobre o SUS está concebida a partir de bases privatistas e mercadológicas. Se a liberdade de expressão é concebida como o direito a voz pública do cidadão, de falar e de ser ouvido – o SUS pode ser considerado um cidadão sem voz, que busca afirmar o seu valor de ser universal e público contraposto ao movimento corporativo mercantil acerca da sua viabilidade.

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Eixo Temático
  • Eixo 12 - Informação, Comunicação e Saúde: diálogos sobre novos cenários e desafios para a Saúde Coletiva