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O presente trabalho pretende analisar alguns aspectos da obra da dramaturga, encenadora, atriz e performer Angélica Liddell sob a ótica de uma poética política. Partimos aqui da discussão sobre a capacidade de representação da obra teatral e seu aspecto de denúncia enquanto objeto artístico, não como um retrato do real, mas como obra que discute e se insere nesse real. Liddell recusa um uso normativo da arte como instrumento político, dizendo ser “asqueroso” tomar a palavra pelos outros. Na performance “Não sou bonita” (2004), Liddell encena um abuso sexual vivido na infância, transformando-o em um corpo contestatório do lugar da mulher para além das discussões políticas prototípicas do feminismo; em “Cachorro morto na tinturaria: Os fortes” (2007), partindo do Contrato Social de Rosseau e de Diderot, discute temas como a liberdade, a igualdade e a fraternidade.
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