TRANSCODIFICAÇÃO NUMÉRICA E PROCESSAMENTO FONOLÓGICO EM CRIANÇAS COM DISLEXIA DO DESENVOLVIMENTO

v. 1, 2019 - 121407
Comunicação Oral
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Resumo

OBJETIVO: O objetivo desse estudo é investigar as habilidades de escrita de numerais arábicos via ditado em crianças com dislexia do desenvolvimento e como o desempenho dessas crianças relaciona-se com os deficit de processamento fonológico e de nomeação rápida comumente encontrados nesses casos. Pretende-se também investigar a natureza da dificuldade na transcodificação numérica, isto é, se as mesmas decorrem de dificuldades com o conteúdo lexical ou sintático dos códigos numéricos. MÉTODO: Os participantes foram divididos em crianças com dislexia e crianças com desenvolvimento típico na faixa etária de 7 a 16 anos. Foram aplicados nove testes em uma única sessão com duração de 60 minutos. A aplicação dos testes contou com o auxílio de estudantes de Psicologia da Universidade de Brasília. RESULTADOS: A amostra final contou com 49 crianças de ambos os sexos. O grupo controle foi composto por 23 crianças com idades variando entre 7 e 10 anos (m = 8,69; dp = 0,92) e o grupo com dislexia foi formado por 26 crianças com idades variando entre 8 e 12 anos (m = 9,88; dp = 1,14). Um teste t indicou que o grupo com dislexia apresentou média de idade significativamente maior que o grupo controle (t = -3,96; p < 0,001; d = 1,14). Para analisar a influência da complexidade dos números ditados no desempenho das crianças, foi realizada uma ANCOVA de medidas repetidas. Essa análise revelou um efeito significativo da complexidade sintática (F[5; 210] = 48,94; p < 0,001; eta = 0,54), com escores diminuindo na medida em que a complexidade sintática aumenta. Ao todo, 1149 erros foram classificados, sendo 430 erros lexicais e 719 erros sintáticos. O grupo controle cometeu um total de 24 erros, correspondendo a cerca de 2% do total de erros classificados, os quais foram divididos em 16 erros lexicais (66,7%) e 8 erros sintáticos (33,3%). O grupo com dislexia, por sua vez, cometeu 1125 erros, cerca de 98% do total de erros analisados neste estudo, divididos em 414 erros lexicais (36,8%) e 711 erros sintáticos (63,2%). DISCUSSÃO: Os nossos resultados mostraram que crianças com dislexia apresentam atraso na aprendizagem dos procedimentos necessários para a transcodificação de numerais sintaticamente mais complexos. Entretanto, apesar de as crianças com dislexia apresentarem aumento nos escores ao longo dos anos escolares, essa dificuldade parece persistir ao longo dos primeiros anos do ensino fundamental. Esses erros apresentaram também um efeito de lexicalização e uma influência da consciência morfológica. Os preditores observados no deficit de transcodificação numérica foram as habilidades do processamento fonológico CONCLUSÃO: Algumas crianças com dislexia apresentam deficit persistente de transcodificação numérica. Este é o primeiro estudo que demonstra uma associação entre a ocorrência de erros lexicais na transcodificação numérica e as dificuldades de acesso lexical e contribui com mais uma evidência para a hipótese de que crianças com deficit fonológicos apresentam dificuldades em habilidades numéricas básicas, no caso, na formação ou acesso ao léxico numérico.

Instituições
  • 1 Universidade de Brasília (UnB) - Brasília - DF - Brasil
Eixo Temático
  • Multidisciplinar
Palavras-chave
Dislexia
Matemática
Transcodificação numérica
Habilidades numéricas básicas