PROCESSAMENTO DE EXPRESSÕES FACIAIS EM CRIANÇAS COM TDAH

v. 1, 2019 - 121382
Comunicação Oral
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Resumo

OBJETIVO: o presente estudo teve como objetivo principal verificar se há relação entre controle inibitório e reconhecimento de expressões faciais em crianças com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). MÉTODO: a amostra total da pesquisa foi de 78 crianças, de ambos os sexos, sendo 72% meninos, e 28% meninas. Dessa amostra, 60% eram participantes do grupo clínico denominado de G1 e, 40% participantes do grupo controle, denominado de G2. Dessa amostra, 62% eram estudantes de escola pública e, 16% de escola particular. A população tinha idade de 8 a 12 anos e também não houve diferenças significativas entre os grupos no que se refere a faixa etária, com p-valor = 0,294. O instrumento de estudo analisado foi o Stroop test versão Victória, e o teste de reconhecimento de expressões faciais de Baron Cohen. Para correlação das variáveis, foram conduzidas análises de correlação de Spearman (coeficiente rs – rho), parcial entre os escores do controle inibitório e do reconhecimento de faces. Resultados: os resultados mostraram que houve correlação de grau moderado no que se refere ao tempo de execução nas tarefas em relação ao reconhecimento de emoções primárias em ambos os grupos, e de emoções secundárias apenas no grupo controle, sendo que o tempo de execução da parte 1 do Stroop, foi associada as emoções básicas em ambos os grupos (G1 = rs -0,283) e (G2 = rs -0,525). No tempo de execução do Stroop parte 2, houve correlação com as emoções básicas em ambos os grupos (G1 = rs -0,281) e (G2 = rs -0,513), e no G2 houve correlação com as emoções complexas (rs -0,513). Por fim, o tempo de execução da parte 3 do Stroop, teve correlação com as emoções complexas no G2 (rs -0,468). DISCUSSÃO: Nossos resultados mostraram que houve correlações de moderadas a fortes entre tarefas que envolviam o tempo de processamento dos aspectos atencionais e de controle inibitório com o reconhecimento de expressões emocionais básicas e complexas. Pesquisas recentes que investigaram o reconhecimento do humor e da emoção nos sistemas neurais subjacentes em adolescentes com TDAH antes e depois psicoestimulante, mostraram que os indivíduos com TDAH tinham mais déficits no reconhecimento de expressões emocionais, além de uma lentidão acentuada na atividade occipital durante a primeira análise perceptiva das expressões emocionais para as faces de raiva, tristeza e com tendência para neutra. A análise realizada com metilfenidato normalizou a atividade neural e produziu melhoras no reconhecimento de emoções. O reconhecimento de expressões faciais requer a integração e a ativação de uma série de áreas e de habilidades cognitivas que se mostram alteradas no TDAH, entre essas, a capacidade atencional de controle inibitório, sendo essenciais para as relações sociais. CONCLUSÃO: Acredita-se que além das funções executivas, as expressões faciais, também deve ser considerado um fator fundamental para intervenções em crianças com TDAH.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Campinas ( UNICAMP) - Campinas - SP - Brasil
  • 2 Centro Universitário das Faculdades de Ensino (UNIFAE) - São João da Boa Vista - SP - Brasil
Eixo Temático
  • Multidisciplinar
Palavras-chave
Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade
Expressões faciais