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CONTEXTUALIZAÇÃO Desde 2015, o Brasil tem registrado a circulação simultânea de diferentes arboviroses de relevância para a saúde pública, incluindo zika, dengue e chikungunya. Surtos significativos dessas arboviroses colocam o país diante de imensos desafios. As estratégias de intervenção do Estado brasileiro diante da emergência do Zika Vírus (ZIKV) fundamentam-se na erradicação do vetor - a mesma estratégia utilizada sem eficácia a 30 anos no combate a dengue, de forma que o país permanece convivendo solenemente com surtos da doença. O modelo reducionista mosquito centrado invisibiliza os aspectos sociais, políticos, econômicos e ambientais da epidemia e suas fatídicas consequências para a sociedade. A proliferação dos casos de ZIKV e de microcefalia desvelam as fragilidades das políticas públicas relacionadas à promoção da saúde e proteção da vida. Diante desse cenário de incertezas e suporte ineficiente do Estado, instituições brasileiras e internacionais criaram projetos de ensino, pesquisa e extensão com o objetivo de dar suporte ao novo problema de Saúde Pública, dentre eles, o projeto de Engajamento público com as famílias afetadas pelo Zika (Zika Public Engagement) - parceria estabelecida entre a Instituto de Infecção e Saúde Global (HPRU) da Universidade de Liverpool (UL), o Instituto Aggeu Magalhães – Fundação Oswaldo Cruz Pernambuco (IAM/Fiocruz) e a União Mães de Anjos (UMA). DESCRIÇÃO, PERÍODO, OBJETIVO As pesquisas conduzidas pela UL frequentemente realizam uma atividade de extensão junto à comunidade envolvida nos estudos, conhecida como projeto de Engajamento Público, semelhante aos projetos de extensão desenvolvidos pelas universidades brasileiras. O projeto Zika Public Engagement teve seu início em 2017, com objetivo de realizar ações de promoção e educação em saúde centradas nas famílias de crianças com a Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZV) da região metropolitana do Recife e cidades do interior de Pernambuco. sob a coordenação global pela UL, local por integrantes do Laboratório de Saúde Ambiente e Trabalho do IAM/Fiocruz e financiamento do WelcomeTrust, instituição de apoio a projetos do Reino de Unido,. A partir da realização das oficinas realizadas pelo projeto, os colaboradores da equipe perceberam que os saberes produzidos naqueles encontros deveriam ser compartilhados com outras famílias que vivem aquela mesma realidade e nem sempre estão inseridas em associações, seja pela distância geográfica ou pela falta de tempo, pois o cotidiano do cuidado com a criança implica dedicação praticamente exclusiva. A produção de microvídeos e o compartilhamento em redes sociais podem ser práticas eficientes e criativas de promoção e educação em saúde. Ações de democratização e popularização da ciência associadas ao uso de mídias digitais ampliam as oportunidades e os espaços para a divulgação de temas de interesse da sociedade, imprimindo esforço adicional para maior inteligibilidade do discurso científico para um público ampliado, e cada vez mais instituições públicas de pesquisa, como a Fiocruz, tem desenvolvido as ações de divulgação científica apoiadas por estratégias comunicacionais na mídia digital. RESULTADOS, APRENDIZADOS, ANÁLISE CRÍTICA O desenho do projeto começou a ser definido com o diálogo direto entre equipe de pesquisadores de diferentes áreas e movimento social das famílias afetadas pelo ZIKV de Pernambuco, representadas pela UMA, associação constituída para lutar pelos direitos das famílias de crianças com SCZV localizada em Recife. A partir da realização das atividades de educação em saúde para estas famílias, foram produzidos microvídeos para compartilhamento nas mídias sociais, que eram adicionados ao canal do Youtube “Zika, Educação e Saúde” e compartilhados por aplicativos móveis para acesso via celulares, tablets e smartphones. Foram produzidos seis microvídeos: Como estimular as crianças brincando; Terapia na água; Construção de tala extensora; Dicas de Postura; Oficinas com famílias do sertão de Pernambuco. O projeto tem contribuído na discussão sobre os desafios enfrentados pelas ao mesmo tempo em que tem permitido um espaço lúdico e protegido para acolher as demandas simbólicas (sentimentos, sensações e perspectivas) delas que são trabalhadas nas oficinas e representadas pelos microvídeos. Com essa estratégia comunicacional tem se conseguido ampliar os meios de acesso gratuito aos saberes construídos no projeto - científicos e não científicos, utilizando-se de recursos digitais via internet. Esses recursos favorecem a aproximação com a sociedade, contribuindo para a popularização do conhecimento científico. O projeto segue em busca de melhorias contanto com novos apoios institucionais, como o de divulgação científica ofertado pela Fiocruz Rio de Janeiro. Como perspectiva planeja realizar análises científicas e continuar contribuindo com ideias e práticas de cuidado através das oficinas e microvídeos.
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