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Contextualização: A extensão universitária tem como características a idealização de processos educativos, culturais e sociais com a intenção de favorecer o intercâmbio de saberes entre estudantes e a sociedade, bem como transformar a realidade da comunidade envolvida. Paralelamente, a figura do Palhaço Cuidador (PC) pode ser expressa como ferramenta essencial para a prática do cuidado humanizado e melhoria do bem-estar dos pacientes no processo de saúde-doença, principalmente no caso de pessoas mais vulneráveis, como ocorre na oncologia. O contato do palhaço com esses pacientes promove uma troca complexa de saberes e de experiências entre os dois polos - estudante e paciente -, que contribui para o processo da cura e para o desenvolvimento pessoal e profissional, sendo uma via de mão dupla. Descrição: A possibilidade desse contato e da formação em PC é originada através do projeto de extensão PalhaSUS da Universidade Federal da Paraíba, que forma os extensionistas em palhaços a partir da Oficina do Riso e promove o cuidado humanizado em quatro cenários na cidade de João Pessoa. Nessa experiência, os pacientes estão em processo de tratamento oncológico e possuem vulnerabilidade emocional. Assim, o papel do PC é de extrema importância para o desenvolvimento de práticas de atenção individual para a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e para o autocuidado. Período de realização: O relato traz a experiência ocorrida do mês de fevereiro ao mês de maio de 2019. Objetivo: Dentre os objetivos, destaca-se a análise do impacto da vivência em uma extensão pautada no cuidado e na Educação Popular para a formação do graduando enquanto PC, cidadão e profissional; e mostrar as contribuições desse projeto para a vida acadêmica e pessoal dos estudantes, uma vez que a fase da adolescência é respaldada por grandes mudanças e adaptações, associado ao ambiente estressante e competitivo da universidade. Resultados: A extensão procura articular o meio acadêmico, a pesquisa e a comunidade, para que haja uma mudança da realidade atual, principalmente no que tange, nesse caso, à transformação da perspectiva em relação ao cuidado. O PalhaSUS é um projeto que procura levar, para a comunidade, o cuidado humanizado. Concomitante a isso, os Palhaços Cuidadores que fazem esse intercâmbio recebem, ao levar essa prática, o seu próprio cuidado, uma vez que cuidar do outro é cuidar de si. Apesar da vulnerabilidade dos pacientes oncológicos, os ensinamentos que eles deixam são de suma importância para o contínuo desenvolvimento do palhaço, bem como para a vida pessoal e profissional dos estudantes. O papel do palhaço ultrapassa as brincadeiras, serve para rir, chorar, consolar, levar uma palavra amiga ou apenas um gesto de que vai dar tudo certo, depende das singularidades e dos fatores extrínsecos e intrínsecos de cada paciente, uma vez que cada um tem sua experiência de vida, histórias a compartilhar e dor a suportar. Aprendizados: Levar o cuidado humanizado mostra o quanto a formação profissional está cada vez mais tecnicista, como os pacientes sentem a necessidade de um cuidado individual e como faz diferença para o processo saúde-doença ter alguém presente nessas situações. É válido ressaltar os benefícios que as atuações deixam nos estudantes, uma vez que promove a autoavaliação do seu estado mental como equilíbrio do seu bem-estar, já que causa harmonia entre os deveres acadêmicos e as atividades que geram satisfação e realização pessoal. Por fim, ao levar o cuidado humanizado para o leito de hospital, afeta não apenas o PC e o paciente, como também todos os outros atores envolvidos nesse processo: os acompanhantes, que elencam a necessidade desse cuidado, e os profissionais da saúde envolvidos, que muitas vezes ressaltam a importância dessa prática para potencializar a saúde. Análise crítica: É válido ressaltar a importância que a Extensão pautada na Educação Popular acarreta no desenvolvimento do extensionista, uma vez que o projeto é nutridor e possibilitador das experiências destacadas, assim como o tempo de vivência nos cenários, que é ampliador do crescimento pessoal, profissional e do palhaço. Como possíveis desafios dessa ação, destaca-se o preparo emocional que o PC deve ter, que é potencializado pelos Encontros de Desenvolvimento do PC no projeto; os limites que alguns profissionais envolvidos no processo possuem em perceber a importância do cuidado humanizado para a saúde do paciente, mas que também são trabalhados durante as vivências; e as situações de alguns pacientes, que recusam a visita por estarem em um momento de dor ou de recusa, mas que é visto como forma de empoderamento dessas pessoas em poder negar algo em um ambiente em que ele não tem voz ativa. Por fim, todos os elementos destacados servem como ferramenta de aprendizado e de construção do extensionista, da formação acadêmica e da formação cidadã, uma vez que possibilita o contato humanizado com a comunidade e um intercâmbio de saberes.
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