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Apresentação: A literatura especializada chama atenção para os altos índices de discriminação, violência e problemas de saúde mental entre homossexuais, quando comparadas às ocorrências entre heterossexuais. Ainda que vários estudos ressaltem a importância das categorias do sistema de sexo-gênero (masculino/feminino) para a regulação da vida sexual dos homens com práticas sexuais, esse aspecto não tem sido devidamente abordado em estudos sobre estigmatização e saúde mental com base em análise estatística de inquéritos comportamentais. Objetivo: O trabalho discute a relação entre estilizações corporais de gênero, estigmatização e sofrimento psíquico de homens com práticas homossexuais da Região Metropolitana do Recife. Metodologia: O trabalho analisa dados de pesquisa etnográfica realizada por meio de observação participante, 25 entrevistas biográficas e inquérito comportamental aplicado a 380 homens com práticas homossexuais. Resultados: Entre os participantes do inquérito, respectivamente, 32,9% e 57,1% afirmaram ter sofrido violência e discriminação por orientação sexual alguma vez na vida. Cerca de dois em cada três homens (67,8%) relataram sofrimento psíquico no último ano. Os homens com estilo corporal másculo sofrem menos violência, discriminação e sofrimento psíquico que os de estilo efeminado. Conclusão: os resultados apontam para a importância do sistema de sexo-gênero para a estigmatização das homossexualidades, para as estratégias para se proteger da violência e discriminação e para o ônus em termos de sofrimento psíquico que os homens carregam, mesmo quando conseguem disfarçar suas orientações sexuais por meio da masculinidade hegemônica.
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