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Introdução: O aumento da expectativa de vida eleva a incidência de doenças crônicas como é o caso da Tuberculose (TB). No Brasil, essa doença ampliou-se significativamente nos últimos anos na população idosa, em decorrência de fatores como diminuição da eficácia do sistema imunológico, a sobreposição de doenças crônicas debilitantes e dificuldade de acesso aos serviços de saúde. A Estratégia de Saúde de Família (ESF), através do Plano de Controle da Tuberculose (PCT), atua na descentralização das ações de controle da doença no contexto da Atenção Básica (AB), melhorando a assistência e facilitando este acesso, sendo a busca ativa dos idosos sintomáticos e o encaminhamento para tratamento em Unidades de Referência algumas das ações prioritárias. Objetivo: Verificar a realização da busca ativa e do encaminhamento para tratamento no Complexo Hospitalar Clementino Fraga (CHCF) de idosos com Tuberculose residentes da região da grande João Pessoa-PB. Metodologia: Trata-se de um estudo do tipo documental, descritivo e retrospectivo, com abordagem quantitativa. O cenário do estudo foi o CHCF, localizado em João Pessoa-PB, caracterizado por ser um hospital de referência estadual de doenças infectocontagiosas. A amostra foi 169 idosos diagnosticados com TB, residentes nos municípios que compõem a grande João Pessoa: Santa Rita, Bayeux, Cabedelo e João Pessoa. Os mesmos foram identificados pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e suas informações foram obtidas em prontuários, entre 2011 a 2013. A coleta de dados se deu através de um instrumento que teve como base a ficha de notificação compulsória de TB e o prontuário do paciente utilizado no CHCF. Para a análise dos dados utilizou-se o software Epiinfo, versão 3.3.1. Resultados e Discussão: A maioria dos casos foi diagnosticado em homens (65,1%), casados (46,2%), com baixa escolaridade (32,5%) e não institucionalizados (79,9%). Quanto à profissão, tiveram destaque os homens ativos (47,9%). A tosse foi o sintoma relevante em homens (74,5%) e mulheres (66,1%). No tocante aos agravos associados, o alcoolismo (25,5%) e o tabagismo (27,3%) se sobressaíram no sexo masculino. Todos os idosos trataram a TB com o esquema básico preconizado pelo Ministério da Saúde (MS) e poucas foram as reações adversas registradas. Foi evidenciado que a busca ativa dos idosos sintomáticos surge de maneira passiva, isto é, o paciente nota algum sinal ou sintoma da doença e por conta própria procura o serviço, demonstrando o descuido da equipe de saúde e a carência de planejamento de ações de controle da doença. Quanto aos tipos de encaminhamentos para o CHCF tiveram destaque as variáveis “hospital” (36,4% dos idosos do sexo masculino e 25,4% do sexo feminino chegaram ao serviço vindo de outro hospital) e “sem encaminhamento” (45,5% dos homens e 52,5% das mulheres procuraram o CHCF por demanda espontânea - sem encaminhamento). A variável “sem encaminhamento” reflete que não houve a busca ativa dos idosos sintomáticos, retratando que a AB permanece falha nas ações de controle da TB. É nesta perspectiva, de perceber o idoso em sua singularidade, ao refletir os resultados obtidos, que o cuidado a este público alvo deve ser (re) pensado desde a formação acadêmica até a transformação profissional; (re) articulado em relação ao sistema de porta de entrada, aos serviços oferecidos e a rede de saúde pública, (re) significando, assim, a prática assistencial no sentido de melhorá-la. Considerações Finais: Como limitações do estudo apontam-se as informações incompletas nos prontuários, bem como, a dificuldade na liberação dos mesmos, atrasando a coleta de dados. Acredita-se que a implantação de uma nova estratégia para a busca ativa e o encaminhamento dos idosos sintomáticos é crucial para reverter esta situação e diminuir os casos novos de TB. É de relevância para a Enfermagem que os resultados encontrados sejam utilizados para propor melhorias na assistência do serviço de saúde, permitindo um tratamento voltado às peculiaridades das pessoas idosas adoecidas por TB. DESCRITORES: Enfermagem; Idoso; Tuberculose Pulmonar; Serviço de Saúde. Referências: ALCÂNTARA, C. C. S.; et al. Fatores associados à tuberculose pulmonar em pacientes que procuraram serviços de saúde de referência para tuberculose. J. Bras. Pneumol., v.38, n. 5. p. 622-29, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Boletim epidemiológico: Implantação do Plano Nacional pelo Fim da Tuberculose como Problema de Saúde Pública no Brasil: primeiros passos rumo ao alcance das metas. Brasília: Ministério da Saúde; 2018. OLIVEIRA, A. A. V; et al. Diagnóstico da tuberculose em pessoas idosas: barreiras de acesso relacionadas aos serviços de saúde. Rev. Esc. Enferm. USP, v. 47, n. 1, p. 145-51, 2013. SILVA, G. O. C.; AMARAL, K. K. R. Tuberculose: casos novos e Estratégia de Saúde da Família. Rev. Enferm. UNISA, v. 12, n. 1, p. 64-7, 2011.
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