APRENDER COM AS FAMÍLIAS POPULARES SOBRE O LIDAR COM A MORTE E O MORRER

Vol 1, 2019 - 122585
Exposição Oral
Favoritar este trabalho
Como citar esse trabalho?
Resumo

Nas últimas décadas o tema da morte e do morrer vem merecendo muitos estudos científicos e publicações. A cultura popular, ao longo de sua história, desenvolveu amplos saberes, estratégias e rituais para o lidar com a morte e o morrer. Mas são poucos os estudos que se debruçam sobre esses aprendizados populares desenvolvidos no enfrentamento da morte. Até mesmo os profissionais de saúde que lidam com a morte e o morrer de seus pacientes, usualmente, desconsideram os saberes e as iniciativas de cuidado e de enfrentamento já existentes nas classes populares. A valorização e integração dos diferentes modos de sentir, pensar e viver é prejudicada pelo modelo ocidental dominante, marcado preponderantemente pelo pensamento biomédico - centrado nas dimensões biológicas e materiais do corpo humano e que valoriza, principalmente, a discussão de aspectos operacionais do fazer em saúde que tenham evidências estatísticas comprovadas de seus impactos em nível populacional. As ciências sociais e humanas ganharam muita importância no movimento sanitário brasileiro, que lutou para implantação e consolidação do Sistema Único de Saúde. Mas, atualmente, necessitam de uma maior valorização dentro dos campos dos cuidados paliativos e da tanatologia, pois têm muito a contribuir para uma reflexão mais ampla sobre o lidar com a morte e o morrer no trabalho em saúde. O desafio da integração dos saberes e processos cognitivos e pedagógicos para o cuidado de pessoas e família enfrentando situações de morte representa uma oportunidade de reflexão muito especial para a ciências sociais e humanas em saúde. O objetivo desse estudo é compreender os saberes, as estratégias e o processo de aprendizagem sobre o lidar com a morte e o morrer de pessoas das classes populares que vivem essa experiência. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com famílias de classes populares que vivenciam, ou vivenciaram recentemente, a experiência da terminalidade em um de seus membros. Cada família escolhida será acompanhada por, pelo menos, quatro visitas ao longo de duas a quatro semanas. Como estratégia metodológica serão utilizadas entrevistas em profundidade, diário de campo e aprofundamento na literatura. Será utilizado um roteiro de entrevista com as questões centrais de interesse da pesquisa. O trabalho de campo dessa pesquisa será desenvolvido ao longo dos próximos três meses e os resultados já encontrados serão apresentados no Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde. Espera-se que com este estudo possamos contribuir com as práticas e pesquisas em educação e saúde, ao valorizar a construção compartilhada de saberes e a integração de dimensões emocionais e culturais, para iluminar novos modos de saber-fazer que permitam um cuidado humanizado diante do adoecer e morrer.

Compartilhe suas ideias ou dúvidas com os autores!

Sabia que o maior estímulo no desenvolvimento científico e cultural é a curiosidade? Deixe seus questionamentos ou sugestões para o autor!

Faça login para interagir

Tem uma dúvida ou sugestão? Compartilhe seu feedback com os autores!

Eixo Temático
  • GT 36 - Saberes, práticas e experiências plurais no cuidado e na cura: tradições, espiritualidade, direitos e resistências