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Este estudo tem como objetivo compreender os meios pelos quais o karate se tornou atraente e adquiriu contornos de esporte, incorporando cada vez mais ciência/tecnologia com vistas a sua estreia nos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020-21. Para entendermos os processos de incorporação de ciência/tecnologia no karate é preciso investigarmos as disputas de poder que se travam no campo social do karate. Assim, para pesquisar essas disputas utilizou-se a Sociologia Reflexiva de Pierre Bourdieu. Para ele, a orientação socioeconômica do esporte é influenciada pelo capital social, econômico e cultural dos indivíduos na esteira de um campo relativamente autônomo, no qual se disputam recursos (capitais). É também dele a noção de oferta e demanda caracterizando o mercado como um campo de lutas socialmente construídos onde agentes se enfrentam. Entende-se que o karate é um campo conectado com outros campos (mercado, ciência/tecnologia). O karate passou por diversas fases de modernização, visto que experimentou durante a primeira metade do século XX a implementação de acessórios esportivos comumente utilizados por outros esportes da época: bogu (protetor corporal do kendo); capacete (do baseball); luvas (de boxe). Com a ocupação estadunidense (1945-52) no Japão, o habitus karateka sofreu mudanças, uma vez que um processo de “apagamento” dos Budo entrou em curso. As artes marciais que foram oferecidas como esporte foram preservadas – obedeceram, então, um novo critério de distribuição de poder (doxa). Na sequência, alguns agentes – enxergando um campo “fértil” de oferta e demanda – resolveram racionalizar ainda mais o karate, assim, implementou-se: novos métodos de ensino; regras e regulamentos; e mais recentemente tatames emborrachados, protetores torácicos, placares eletrônicos e o Replay. Concluiu-se que a incorporação da ciência/tecnologia no karate foi incentivada, sobretudo, pela disposição de agentes heterodoxos – mesmo com a resistência de indivíduos ortodoxos – resolveram “inovar”, direcionando o karate, ainda mais, para o movimento olímpico.
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