A cocaína é um alcaloide extraído das folhas da planta Erythroxylon coca, é uma das drogas estimulantes mais consumidas no mundo. Atuando diretamente no Sistema Nervoso Central, possui efeitos alucinógenos, estimulantes e anestésicos podendo causar forte dependência química1. As drogas apreendidas possuem um alto nível de adulterações, sendo que os mais comuns presentes na cocaína são a lidocaína e a cafeína, que simulam os efeitos anestésicos e estimulantes. As duas técnicas instrumentais mais eficazes e mais utilizadas em análises forenses para identificação de drogas são a Espectroscopia no Infravermelho por Transformada de Fourier (FTIR) e a Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massas (CG/EM)2. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo analisar os adulterantes cafeína e lidocaína nas amostras de cocaína apreendidas pela Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul no trecho da BR-262 no ano de 2019, tendo como base os dados do Instituto de Análises Laboratoriais Forenses (IALF) da Polícia Científica. As amostras analisadas foram preparadas em metanol na faixa de concentração de 0,25 a 16 mg L-1 e analisadas em CG/EM. A curva analítica da cocaína, cafeína e da lidocaína indicaram uma boa linearidade, com valores do coeficiente de determinação (R²) sendo, respectivamente, 0,9991, 0,9994 e 0,9993. O limite de detecção (LD) para a cocaína, cafeína e para a lidocaína foi de 0,25 mg L-1, enquanto o limite de quantificação (LQ) foi de 0,5 mg L-1. No ano de 2019 foram analisadas o total de 1577 amostras pelo FTIR, das quais, 73 apresentaram adulterações com cafeína e lidocaína e 136 apresentaram outros tipos de adulterantes. Além disso, percebeu-se que, de acordo com a rota da BR-262, as adulterações começaram a partir da cidade de Campo Grande. Em conclusão, foi possível avaliar as adulterações das amostras através dos dados das análises por FTIR, avaliar alguns parâmetros de validação por CG/EM e estimar a rota das adulterações no trecho da BR 262/MS.