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A presente pesquisa de iniciação científica se propôs a analisar a fonte literária Officer Ukuma, de autoria de Ikemiyagi Sekihō (1893-1951), publicada em 1922 na prefeitura japonesa de Okinawa. Partindo de uma análise dialógica entre História e Literatura, a análise se atentou para as relações deste conto ficcional com o contexto de dominação no qual ele foi produzido, decorrente da anexação do reino independente de Ryūkyū como prefeitura de Okinawa, protagonizado pelo Império Japonês em 1879 e alinhado com o novo tipo de agência posto após a Restauração Meiji.
Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq
hellen fonseca
Olá, Giovanna.
Primeiramente gostaria de parabenizá-la pela pesquisa. Trazer os países asiáticos para uma discussão histórica a partir do Brasil é algo bastante desafiador. Mais pesquisas como a sua são necessárias para que este tema seja conhecido em nosso país.
Fiquei com algumas dúvidas sobre a execução da sua pesquisa: como você a desenvolveu? A leitura da obra foi feita no japonês ou em alguma outra tradução (português, inglês ou outro idioma). Pergunto isso, pois sabemos que esta é uma questão bastante complexa em se tratando de traduções para do japonês para a língua portuguesa - elas tendem a demorar muito tempo para ocorrer por diferentes razões e, além disso, a tradução do japonês para outros idiomas é um processo ainda mais complexo. Gostaria de saber como você lidou com essa questão durante a pesquisa.
Gostaria de compreender mais sobre o autor da obra, sobretudo se as questões identitárias do personagem Hya’akū possuem paralelos com a vida do escritor.
Obrigada e mais uma vez parabéns pela pesquisa.
DYEMI TORIKAI
Oi Giovanna! Parabéns pela sua pesquisa! Fiquei muito surpresa em encontrar um estudo sobre este assunto por aqui. Sou descendente de Okinawa e seu texto me fez refletir sobre o assunto.
Não sou estudiosa sobre o tema mas achei interessante compartilhar uns pensamentos.
Aqui no Brasil, apesar de estarmos em um país diferente desde o nascimento, inseridos em outra cultura e fazendo parte dela, essa discriminação se perpetua entre os brasileiros descentes de japoneses (me fez pensar em como a cultura discriminatória é tão difícil de ser descontruída). E uma outra coisa que fiquei pensando, é em como as vezes é complexo explicar essa diferença cultural vivendo no Brasil, pois tem pessoas que gostam de simplesmente comentar (devido minha aparência física) como gostam e admiram a cultura japonesa e descrevem uma cultura da qual não me identifico.
Muito obrigada pelo seu trabalho, e parabéns novamente por trazer o tema para este Congresso. Fiquei muito feliz em ver a história dos meus antepassados por aqui. Muito sucesso para você!
GIOVANNA MAIA TAVARES DE ALMEIDA
Oi, Dyemi! Fico extremamente agradecida e honrada pelo seu comentário e contribuição! Não consegui trazer essa dimensão social nesse pequeno artigo, mas eu acredito fielmente nos benefícios quando a academia consegue andar de mãos dadas com o resgate da memória e cultura de um povo. Trazer Okinawa como tema de pesquisa é, dentre muitas outras questões, uma tentativa de ir contra as políticas que tentaram apagá-la. Obrigada!!
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GIOVANNA MAIA TAVARES DE ALMEIDA
Oi, Hellen! Agradeço pelo comentário e por reconhecer a importância de trazer as discussões do leste asiático para a pesquisa brasileira. Durante a pesquisa, eu utilizei duas versões para a análise. A princípio, foi utilizada a versão traduzida para o inglês pela Dra. Davinder Bhowmik presente na antologia de literatura okinawana Southern Exposure: Modern Japanese Literature from Okinawa. Paralelamente, foi utilizado também a versão japonesa para cotejar a tradução com o original e sanar eventuais problemas na tradução - que não se mostraram críticos a ponto de prejudicar a análise. A versão japonesa utilizada está presente na compilação Okinawa Bungaku Zenshuu. Pela redução no tempo de pesquisa, durante a iniciação científica eu não tive espaço para aprofundar a relação entre a produção literária e a vida do autor; no entanto, estou aprofundando essa questão na pesquisa que realizo atualmente no mestrado, na qual eu também utilizo esta obra. Espero que tenha esclarecido e estou a disposição para outras dúvidas! Obrigada!
Marcos Yakuwa Mekaru
É bastante interessante a pesquisa e os laços que essa situação "limiar" ou cindida dos okinawanos/uchinanchuus em relação aos japoneses têm com questões contemporâneas! Mesmo após o final da 2ª Guerra Mundial Okinawa, há uma certa postura dos japoneses "centrais" (naichi) em relação aos Okinawanos que lembra bastante a descrição da relação de Ukuma com seus "pares", de Okinawa e principalmente em relação com a situação das bases americanas como o "preço" que Okinawa deve aceitar/suportar para participar do Japão como "bons japoneses (mas um pouco menos)". O tratamento de Okinawa pelo Japão durante a guerra também é análogo; os okinawanos eram "fiéis ao imperador" por morrerem para defender as ilhas principais, mas só foram postos nesta posição porque as ilhas eram consideradas um sacrifício "aceitável" para evitar a profanação do solo realmente "sagrado".
Você sabe onde/em que formato posso encontrar esse romance? Ele tem uma versão em inglês ou algo assim?
GIOVANNA MAIA TAVARES DE ALMEIDA
Pois é, Marcos! Nos primórdios da minha pesquisa, fiquei dividida entre pesquisar Okinawa pré ou pós Segunda Guerra. No fim, acabei escolhendo me voltar para o início do XX para entender um pouco mais sobre a anexação e colonização interna de Okinawa, mas é visível como essa relegação do Japão para com Okinawa se estende por todo o século (com a atuação de novos agentes nesse processo, como os EUA) e permanece até hoje!
E o conto pode ser encontrado na versão traduzida para o inglês na antologia de literatura okinawana organizada por Michael Molasky e Steve Rabson, Southern Exposure: Modern Japanese Literature from Okinawa. Nessa coletânea, tem várias outras obras interessantíssimas de poesia e ficção. Vale a pena dar uma olhada!
Marcos Yakuwa Mekaru
Muito obrigado pela resposta!