Identificação da demanda de Cuidados Paliativos (CP) em uma Unidade de Emergência Referenciada (UER)

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Trabalho
  • Eixo temático: BIOLÓGICAS
  • Palavras chaves: Cuidados Paliativos; Unidade de Emergência Referenciada; Acesso à saúde;
  • 1 Unicamp
  • 2 Universidade Estadual de Campinas

Identificação da demanda de Cuidados Paliativos (CP) em uma Unidade de Emergência Referenciada (UER)

FELIPE THIELE CECÍLIO

UNICAMP

Resumo

Cuidado Paliativo (CP) é a assistência realizada por uma equipe multidisciplinar aos familiares e a um paciente portador de uma doença que ameace a vida. O principal objetivo do CP é promover qualidade de vida por meio da prevenção e alívio dos sofrimentos. Há crescente evidência dos benefícios em qualidade de vida, satisfação de pacientes e familiares além de redução de custos para o sistema de saúde em fornecer cuidados paliativos. Apesar disso, a oferta de CP no Brasil ainda é escassa, o que nos faz acreditar que essa demanda não atendida leva os pacientes e familiares a procurarem os departamentos de emergência (DE) quando há prejuízos no status de saúde. Dessa forma, buscamos identificar essa demanda em uma Unidade de Emergência Referenciada (UER). Objetivos: Identificar a demanda de CP na UER, visando a formação de políticas públicas, organização dos serviços de saúde e contribuir para o desenho de um estudo multicêntrico mais amplo. Método: A coleta dos dados foi realizada por meio de entrevistas face a face, a partir de uma amostra por conveniência, de forma não longitudinal, mas ao longo de 4 períodos utilizando como ferramenta para avaliar elegibilidade o Supportive and Palliative Care Indicators Tool (SPICT) combinado com o Palliative Performance Scale (PPS). Resultados: Identificamos que a prevalência de pacientes elegíveis para receber cuidados paliativos foi de 33,33%, número superior ao encontrado por outros autores com desenhos de estudo semelhantes.

Apoio/Financiamento da Pesquisa: PIBIC/CNPq

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Autor

FELIPE THIELE CECÍLIO

Boa tarde, Daniel! Eu e a equipe somos muito gratos pelo reconhecimento, conselhos e dúvidas. Muito bom também saber que o senhor gostou do trabalho. 

 

Esperamos poder sanar as questões colocadas com a mesma atenção que o senhor dedicou. 

 

  1. O que quis dizer na introdução com “implementação de cuidados paliativos melhoram (...) intensidade do cuidado”? 

 

Assumo que o senhor esteja se referindo ao relatório final entregue ao PIBIC, pois esse trecho não consta no nosso resumo ou no vídeo-pôster. O trecho na íntegra, para caso alguém tenha interesse em acompanhar a discussão é o seguinte: 

 

“Há evidências na literatura de que a abordagem e implementação de Cuidados Paliativos (CP) melhoram a qualidade de vida 2–4, reduzem sintomas 4, intensidade do cuidado 5, tempo de internação 5 e custos hospitalares 2,3,5.”

 

Entendi também, que sua pergunta esteja se referindo ao desfecho “intensidade do cuidado” e, portanto, explico aqui esse questionamento.

 

A melhoria da intensidade do cuidado se refere a redução de intervenções distanásicas a partir de maior realização de planejamento de cuidado em pacientes que recebem cuidados paliativos. Apesar disso, dos artigos selecionados por essa revisão da literatura (KAVALIERATOS, 2016) que embasam essa afirmação são de alto risco ou risco indefinido de viés. 

 

Caso não tenha respondido o que o senhor gostaria, peço que, por gentileza, pergunte mais uma vez. 

 

  1. -“Evidências de outros países” Que outros países? Descrever objetivamente todos os dados apresentados.

 

 

Não evidenciei os outros países no texto por julgar, equivocadamente, que não seria necessário. Além do trabalho realizado na Áustria que encontrou uma prevalência de 13,2% (KÖSTENBERGER, 2019) há um realizado nos Estados Unidos com idosos (GLAJCHEN, 2011) que encontrou uma prevalência de pacientes elegíveis de 3,2%. Além disso, há dois trabalhos que não quantificaram os pacientes elegíveis, mas que analisaram a necessidade das visitas aos (Departamentos de Emergência)DE. O trabalho realizado nos Estados Unidos (DELGADO-GUAY, 2015), considerou que 23% das visitas ao DE eram evitáveis em pacientes com câncer avançado. O estudo realizado no Canadá (BARBERA, 2010) analisa detalhadamente os motivos que levaram pacientes com doenças ameaçadoras da vida (câncer no presente estudo) e encontram diversas queixas que poderiam estar sendo tratadas em outros serviços como constipação, realização de exames laboratoriais, renovar receitar etc. 

Por fim, WONG, 2014, compila trabalhos, incluindo alguns citados no parágrafo acima, na tentativa de determinar a incidência da elegibilidade de CP por métodos sistemáticos, mas a heterogeneidade dos estudos não permitiu que obtivessem a resposta procurada. Eles também pontuam algo muito interessante, que é a falta de uma padronização sistemática para elegibilidade para receber CP de forma aplicável na prática, falta essa que levou nossa equipe a escolher o SPICT (Ferramenta  de Indicadores de Cuidados Paliativos e de Suporte) combinado com o PPS (Escala de Performance Paliativa).

 

  1.  -Houve treinamento prévio, ou os profissionais tinham conhecimento prévio da aplicação das escalas e questionários?

 

Os profissionais tinham conhecimento prévio da aplicação das escalas, mas nos reunimos previamente a cada período de coleta e nos alinhamos quanto à aplicação do questionário completo e dos pontos que suscitaram dúvidas nas escalas. 

 

  1.  -Além da análise univariada, será realizada uma multivariada?

 

A equipe julgou que para os objetivos do projeto e devido aos atrasos gerados pela pandemia, não seria vantajoso realizar análises mais complexas. Vamos analisar o valor para o artigo que será redigido e para o projeto seguinte. 

 

  1.  -Quais os próximos passos do projeto?  

 

Almejamos publicar um artigo com os resultados encontrados, mesmo se tratando de um projeto piloto, para divulgar esses achados com outros profissionais brasileiros, pesquisadores ou não, que se interessem pelo tema e sua relevância. 

Além disso, vamos desenvolver um projeto multicêntrico e aprimorado a partir desse piloto para verificar se esse cenário se repete em outros DE da região de Campinas. 

 

Reiteramos nossos agradecimentos pelo olhar atencioso, pelos conselhos preciosos e pelas dúvidas essenciais. 

Um grande abraço e continuamos à disposição.

 

Daniel Pequeno

Bom dia Felipe.

Muito obrigado pela atenção prestada em todos os comentários e sugestões.

Sobre o primeiro questionamento, imagino que era uma questão textual, e na sua explicação ficou claro. Acredito que estava me referindo a necessidade de um verbo antes de "intensidade de cuidado". Como você apresenta anteriormente "MELHORAM a qualidade de vida" e "REDUZEM sintomas", precisaria descreve o que seria a intensidade de cuidado. Em sua explicação aqui, você comenta sobre a MELHORIA da intensidade de cuidado, então seria relevante inserir essa descrição em seu texto.

Quando questiono sobre outros países, também é uma questão textual e de revisão, que a maioria dos orientadores iriam questionar que outros países/existem pesquisas no Brasil/etc.. Quando estamos escrevendo uma introdução, nossa revisão da literatura vai de encontro ao nosso tema específico, e caso não tenham trabalhos exatamente direcionados ao nosso tema, começamos a abrir o escopo para pesquisas semelhantes. Desta forma, se existirem trabalhos com o mesmo tema, conseguiremos discutir os resultados através deles, e caso não tenham, deixar claro a originalidade do trabalho e a possível dificuldade em discutir os resultados encontrados. Como você descreve aqui na resposta, existem poucos trabalhos, todos feitos em outros países, e até uma dificuldade em determinar a incidência da elegibilidade aos cuidados paliativos. Tudo isso é muito interessante, e deve ser incluído em seu texto, para contextualizar ao leitor a importância e complexidade de seu trabalho.

Imagino que seja interessante descrever esse prévio "treinamento" nos métodos, para demonstrar a preparação da equipe para aplicação dos questionários.

Como comentei, é muito importante apresentar e discutir esses resultados, para assim ampliar seus resultados para outros centros, e conseguir analisar de forma global os resultados encontrados.

Novamente, agradeço pela atenção, parabenizo pelo trabalho tão relevante em uma área muitas vezes negligenciada, e desejo muita sorte na continuação e expansão do projeto e em sua jornada acadêmica e profissional. 

Autor

FELIPE THIELE CECÍLIO

Muito grato, Amanda! 

 

Autor

FELIPE THIELE CECÍLIO

Olá!

A abordagem dos pacientes ou acompanhantes incluiu uma explicação do que são Cuidados Paliativos e foi apresentado e explicado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Os pacientes entrevistados não tiveram acesso aos resultados da pesquisa, mas acredito que as entrevistas foram o primeiro contato com esse conceito para os pacientes e familiares, o que me leva a acreditar essa interação potencializa a busca desses serviços em casos de necessidades futuras desses pacientes ou de seus familiares. 

Apesar de não ter sido o foco da pesquisa, há estudos como o seguinte: https://www.scielo.br/j/bioet/a/nr7qPPRPj96JcWw5gpp6bTH/?lang=pt ( Conceição M, 2019) que avaliou o conhecimento de Cuidados Paliativos, por meio de um questionário, médicos residentes em um hospital universitário demonstrando que apenas 7% deles pontuaram acima de 80% (nota de corte considerada excelente). Isso sugere que há uma defasagem no ensino de Cuidados Paliativos até em gerações mais recentes de médicos. Quanto as outras profissões, o trabalho: https://www.brazilianjournals.com/index.php/BJHR/article/view/1346 (Filho C, 2019) entrevistou também enfermeiros e identificou que menos da metade acham que o tema foi  abordado de forma adequada na formação. 

Uma busca mais aprofundada na literatura pode revelar mais detalhes sobre o conhecimento de Cuidados Paliativos pelos profissionais de saúde, mas acredito que o conhecimento acerca da dimensão do problema seja ainda menor, motivo pelo qual a divulgação desse trabalho se faz tão importante. 

Autor

FELIPE THIELE CECÍLIO

Olá, Luiz! Que alegria saber que nosso trabalho foi bem recebido.

Agradecemos muito pelas sugestões. 

Quantos ao questionamentos levantados pelo senhor: 

- A Unidade de Emergência Referenciada (UER) em que foi realizada a pesquisa foi a do Hospital das Clínicas da UNICAMP.

- Os questionários foram validados em português.

         A PPS (Escala de Performance Paliativa) foi validada (versão 2 do Victoria Hospice)  em 2009 e a SPICT (Ferramenta  de Indicadores de Cuidados Paliativos e de Suporte)  foi validada em 2016.

- Caso o senhor se interesse, segue o nosso número do CAAE: 29781320.0.0000.5404, pois, infelizmente, não é possível alterar o material publicado aqui na plataforma. 

 

Um grande abraço e estamos dispostos e contentes caso surjam mais dúvidas ou apontamentos.