Olá, sou Paola D. Argentin, doutorando em ciências sociais pelo IFCH e também avaliadora dos trabalhos. Abaixo algumas questões.
Em primeiro lugar, gostaria de destacar que esta periodização que você traz é muito importante para entender as sequências de reivindicações que antecederam o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Em segundo lugar, esta proposta de perceber a construção de sujeitos criminosos pela mídia também abre caminhos para perceber (ou se perguntar) como, a própria mídia se transformou de 2013 aos dias de hoje, e os precedentes midiáticos de construção de sujeitos (heróis e bandidos). Neste período, assim como em outros na história do Brasil, houve uma construção muito forte de figuras-heróis - poderia destacar Moro e Bolsonaro num período logo depois - mas a mídia também tem um histórico de construção de bandidos - estes, sabemos que tem cor e gênero. Contudo, alguns aspectos faltaram ser destacados e talvez esta falta esteja relacionada com o fato de não estar descrito como a mídia descreve e cria este sujeito criminoso e o vândalo - inclusive, peço que me fale um pouco sobre isso, se possível. Está claro que houve uma mudança de posicionamento da mídia em relação às manifestações, e você descreve muito bem - no vídeo e no resumo - esta mudança de posicionamento e inicio de uma postura de classificação de manifestantes (os bons e os violentos), mas propriamente não se percebe como é caracterizado este vândalo ou criminoso. Enquanto fazia a leitura do seu trabalho, me lembrei que em termos sociais as manifestações foram muito diversas. Em termos políticos (no sentido de reivindicações e pertencimentos aos movimentos sociais) isso ficou claro, mas em termos sociais, esta diversidade não aparece como fundamental (ou não) para a caracterização deste vândalo. Você encontrou resultados sobre esta diversidade social com relações à construção do sujeito vândalo e criminoso? Por isso te pergunto: Quem são, em termos não só político mas sociais, esses sujeitos vândalos construídos pela mídia? Estes sujeitos têm cor, têm classe, pertencem a qual movimento? Sei bem que é um desafio construir um equilíbrio de informações e dados em um texto tão pequeno quanto um resumo, por isso gostaria, se possível, que você me falasse sobre as características deste perfil criado pela mídia. Gostaria de ler seu relatório. Sua pesquisa me parece muito boa e alinhada com o seu orientador.
Gostaria também que você me dissesse se faz sentidos estas considerações que aqui escrevi.
Por fim, seu embasamento teórico é muito bom e está muito claro ao longo do texto. A leitura de Michel Misse é mesmo muito importante.