Olá, Bianca. Parabéns pelo trabalho desenvolvido: é muito sensível e tocante. Fez lembrar de algumas fotografias de meus bisavós colocados nas paredes da casa do meu tio e, graças ao seu trabalho, pude entender a que tipo de técnica essas imagens pertencem.
Achei muito interessante como a montagem que se faz presente nesses quadros de famílias - os retratos operam em um intenso diálogo entre si e são inúmeras as possibilidades de leitura - para não falar em processos imaginativos, afinal, é difícil olhar para essas imagens e não imaginar/fabular quem foram essas pessoas.
Também achei muito pertinente pensar a produção dessas imagens e todos os envolvidos neste processo (fotógrafos, familiares, bonequeiros, laborista), o que evidencia o modo como essas imagens circulam. Toda essa trama me faz pensar muito no Ingold (Estar vivo: ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição; Trazendo as coisas de volta; ). Esses trabalhos são bastante inspiradores.
Se possível, gostaria que você contasse mais sobre a atual produção dessas fotopinturas: quais são os objetos e materiais que são mobilizados para produzi-las? Como é o resultado?
Sobre o fato de essas imagens terem se tornado órfãs, há alguma hipótese? Elas vem sendo descartadas pelas próprias famílias ou por terceiros?
Mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho.