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A Tradução do Diário da Viagem aos Países Baixos de Albrecht Dürer

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Neste projeto foi concluída a primeira tradução para a língua portuguesa do diário pessoal escrito pelo artista gráfico Albrecht Dürer entre 1520 e 1521, quando da sua viagem aos Países Baixos. Durante o trabalho, utilizamos a matriz alemã, publicada por Moriz Thausing em 1872. A título comparativo, e para desmontar conflitos de ordem gramatical e semântica, observamos duas outras traduções: a inglesa, organizada por Peter Fry em 1913, e a francesa de Charles Narrey, publicada em Paris em 1866. Em paralelo ao trabalho com essas fontes, foi empreendida uma revisão historiográfica baseada nos textos de Erwin Panofsky, Friedrich Leitschuh, Moriz Thausing e Giulia Bartrum. A partir do reconhecimento das circunstâncias de produção do diário foi possível interpretar a historicidade do documento e a etimologia de termos enunciados pelo autor. Tais ferramentas elucidam particularidades históricas daquela situação. A exemplo disso temos: a descrição das ferramentas de composição e das estratégias de comércio; a distinção geográfica entre unidades métricas e monetárias; a menção às formas de sociabilidade e aos laços afetivos empreendidos pelos agentes históricos. Esses são elementos de que os historiadores podem se valer para tecer interpretações sobre a viagem. Por isso mesmo, o acesso à fonte escrita por Albrecht Dürer pode abrir novos percursos de análise aos pesquisadores de língua portuguesa nos campos da História da Arte e da História Cultural.