Assistência de enfermagem a idosos no perioperatório em hospital-escola: relato de experiência
Introdução: O envelhecimento populacional é um episódio recente, com crescimento 6 vezes maior que o da população jovem, entre 1980 e 2010. No Brasil, estima-se que, em 2025, a população idosa será de 32 milhões, a sexta mais velha do mundo, implicando em elevação de doenças crônico-degenerativas e cuidados prestados em saúde. Das admissões de pacientes idosos em instituições de saúde, 40% destinam-se à terapêutica cirúrgica, aumentando hospitalizações e custos hospitalares. Esta assistência requer cuidados que diferem de outros grupos etários, por alterações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas, denotando maior cautela no procedimento cirúrgico. As chances de se desenvolverem complicações pós-operatórias podem aumentar, necessitando-se conhecer o paciente e detectar alterações funcionais. Objetivo: Relatar a experiência de discentes no cuidado a idosos durante o perioperatório, em um hospital-escola. Método: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido durante o estágio curricular obrigatório, entre maio e julho de 2017, em um Hospital Universitário de Maceió/AL. Coletaram-se os dados no mapa cirúrgico diário institucional e durante a prestação de assistência de enfermagem a idosos submetidos a cirurgias. Resultados: Identificou-se a efetivação de integralidade do cuidado, perpassando a admissão do idoso e os períodos pré, intra e pós operatórios, além de compreensão do perfil da população submetida à cirurgia. Os dados revelam que os pacientes em idade avançada (suscetíveis) são os que mais procuram o serviço. Do total de 2.577 cirurgias realizadas no período da coleta, cirurgias oftalmológicas prevalecem, representando 26,46% do total; seguidas por cirurgias gerais (20,92%) e oncológicas (13,35%). Os idosos correspondem à faixa etária que mais se submete ao tratamento oftalmológico, corroborando com a necessidade de atendimento diferenciado, principalmente na prevenção de complicações pós-operatórias, período que mais apresenta riscos. A enfermagem insere-se na função primordial de auxiliar as pessoas a desfrutarem de suas capacidades funcionais, independente do estado de saúde/idade, transmitindo-lhe confiança, acolhimento e orientações sobre a cirurgia e cuidados pós-operatórios. Para tanto, exige-se que a equipe esteja capacitada, de modo a prestar atendimento de modo eficiente, eficaz e seguro. Foi, ainda, possível estratificar o risco no ambiente hospitalar, minimizando qualquer interferência que possa reduzir a evolução clínica do idoso, revestindo-se a assistência de atenção para prevenção de complicações, como: oclusão de vias aéreas, hemorragia, choque e embolia pulmonar, hipoxemia, íleo paralítico, retenção urinária, infecção da ferida, deiscência e evisceração. Conclusão: O profissional de enfermagem é detentor de papel fundamental na prestação de cuidados ao ser humano. Para tal, aquele deve estar ciente de que a sua responsabilidade abrange o auxílio às pessoas, incluindo o aproveitamento de suas capacidades funcionais ao máximo possível, independente do estado de saúde em que se encontra e de sua idade. Isso se reflete na atenção à população idosa, cuja assistência deve ser particularizada, requerendo do profissional conhecimento sobre seu estado físico, emocional e motivacional, indo além da patologia e tratamento cirúrgico. Estes fatores influenciam no cuidado pré-operatório, delimitando o perfil do paciente e planejamento da assistência exclusiva; intra-operatório, evitando possíveis complicações pós cirúrgicas; e pós-operatório, dando continuidade ao cuidado prestado até a alta hospitalar. Reconheceu-se, portanto, a fundamental participação da equipe de enfermagem no acompanhamento deste público-alvo de sua assistência, durante todo o processo de hospitalização.