O corpo e sua relação com a subjetividade na obra de González Rey

vol. 1, 2019 - 114875
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Resumo

Este trabalho apresenta reflexões surgidas a partir de uma análise da obra de Fernando González Rey e de sua Teoria da Subjetividade e teve como objetivo investigar como nela surge a relação corpo-subjetividade. Segundo González Rey (2003), a recuperação das emoções como processo fundador da subjetividade está intimamente relacionada ao resgate do corpo. A subjetividade é a qualidade que os processos humanos assumem quando as emoções não respondem mais apenas ao corpo no atendimento de necessidades básicas, adaptação e autopreservação e passam a responder a processos simbólicos. A subjetividade não é um epifenômeno cerebral, é impossível a emergência da subjetividade fora das condições de cultura, um corpo se humaniza no encontro com um corpo humanizado. Ao longo da obra de González Rey foi possível levantar alguns eixos sobre como o autor concebia a interação corpo-subjetividade: A recursiva inter-relação entre configurações subjetivas, práticas corporais e modo de vida, atividades físicas não são importantes apenas para manter o corpo físico bem oxigenado e gerar endorfinas, mas pela possibilidade de uma atividade gerar diferentes sentidos subjetivos de valor para a vivência cotidiana do indivíduo (GONZÁLEZ, 2012) Já nos processos de somatização das configurações subjetivas os sintomas nunca são uma expressão direta de uma configuração subjetiva, os sentidos subjetivos gerados nas configurações podem naturalizar determinadas práticas do indivíduo afetando sua capacidade de sentir desconforto frente ao que vive, as vezes até por representações sociais dominantes que se configuram na subjetividade individual sem que a pessoa saiba (GONZÁLEZ REY, 2012). Portanto favorecer o processo de saúde humana nunca corresponderia a gerar apenas uma bioquímica saudável, mas, simultaneamente, de uma produção subjetiva que se expressa na corporeidade como em sua corporalidade permitindo ao indivíduo vivenciar a própria vida, atividades e relacionamentos de modo instigante. Uma outra aparição do corpo são os processos de produção subjetiva frente uma condição corpórea. A doença, a velhice, a cor da pele e até mesmo a dor física são processos que se configuram subjetivamente, a condição corpórea não impacta a subjetividade de modo determinante. Assunção do caráter gerador da subjetividade (GONZÁLEZ REY, 2016, 2017) impede que enxerguemos tais processos como determinantes lançando uma mirada complexa na interação indivíduo e sociedade. É relevante compreender que as instituições sejam formais ou informais veiculam projetos de corporeidade, projetos de discplinarização do corpo-subjetividade para a falta e o consumo. Como questão de corpo-subjetividade pode ampliar nossas formas de compreensão sobre as dicotomias inconsciente/consciente, interno/externo, individuo/social?

Eixo Temático
  • 1. Teoria da subjetividade: discussões conceituais e relações com outros referenciais teóricos
Palavras-chave
corpo
Subjetividade
relação corpo-subjetividade