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FORÇA MUSCULAR DO ASSOALHO PÉLVICO DE PRIMÍPARAS SEGUNDO O TIPO DE PARTO: ESTUDO DE COORTE

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Objetivos: Analisar a variação da força muscular do assoalho pélvico (FMAP), mediante perineometria em primíparas de acordo com o tipo de parto, idade materna, escolaridade, cor da pele, situação conjugal, ocupação, índice de massa corpórea (IMC), infecção do trato urinário (ITU), incontinência urinária (IU) e anal (IA), exercícios perineais, dispareunia, intervenções e condições perineais no parto e do recém-nascido, com 50-70 e 170-190 dias pós-parto; Investigar a prevalência de ITU, IU, IA e dispareunia, em primíparas com 50-70 e 170-190 dias pós-parto. Método: Coorte prospectiva com 99 primíparas recrutadas em maternidade pública de Itapecerica da Serra, São Paulo. O cálculo amostral considerou um tamanho de d de Cohen igual a 0,669, erro tipo I igual a 5% e poder de teste de 90%, encontrado, em outro estudo, na comparação da FMAP entre mulheres com parto normal e cesariana. Considerando os tipos de parto do local desta pesquisa, entre 2011 e 2012, verificou-se que, para cada cesárea, houve três partos normais, sendo necessárias 96 primíparas, com 24 submetidas à cesariana e 72 de parto normal. Colheram-se os dados em três etapas: 1ª - na internação hospitalar, com até 48 horas após o parto; 2ª e 3ª - 50-70 dias e 170-190 dias após o parto, respectivamente, nas quais foi mensurada a FMAP. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (CAAE:13545113.5.0000.5392). Resultados: Apesar da maior média da FMAP das mulheres após o parto normal comparada à cesariana (22,0 e 21,0 cmH2O versus 26,8 e 24,4 cmH2O, respectivamente), não houve diferença estatística. A análise bivariada apontou diferença estatística nas médias da FMAP em relação à idade (p=0,001), e o exercício perineal ficou próximo da significância (p=0,054). Não foram observadas interações entre idade e exercícios com as etapas 2 e 3. Também ocorreu associação significante entre FMAP de mulheres que relataram ITU (p=0,012) e aquelas sem IU (p=0,021). Foi obtida maior FMAP entre as participantes que não receberam anestesia (p=0,028), com diferença estatística. A FMAP não diferiu quanto às variáveis cor da pele, situação conjugal, ocupação, IMC, dispareunia, intervenções no parto e condições do RN. A análise pelo modelo longitudinal preditivo mostrou associação estatística entre idade, exercício e FMAP, indicando diminuição da FMAP em 0,709 a cada ano de vida da mulher e aumento de 3,359 cmH2O na média da FMAP naquelas que realizaram exercícios perineais. Conclusão: A FMAP não difere quanto ao tipo de parto. As primíparas, com ITU e sem IU, que realizaram exercícios perineais e que não receberam anestesia local apresentaram estatísticamente maior FMAP. Não foi possível realizar análise comparativa da IA devido ao baixo número de ocorrências. As prevalências de IU, IA e dispareunia foram menores aos seis meses após o parto. Implicações para a prática: Pode favorecer aos profissionais atuantes na assitência à mulher no ciclo gravídico-puerperal a conscientização, possibilitando identificar no período de gravidez e pós-parto o surgimento de ITU, IU, IA e dispareunia e contribuir com a prevenção e tratamento destas disfunções.