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ALGINATO DE CÁLCIO NA HEMOSTASIA DAS FERIDAS MALIGNAS NO CÂNCER DE MAMA: EVIDÊNCIAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA

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Objetivos: Identificar e analisar a forma como o alginato de cálcio foi utilizado nas pesquisas que descreveram medidas tópicas de hemostasia em feridas malignas decorrentes do câncer de mama. Métodos: revisão bibliográfica sistemática utilizando a pergunta clinica: quais são as medidas tópicas de hemostasia em feridas malignas mamárias descritas na literatura? E o anagrama PICO para estratégia de busca de artigos em nove bases de dados. Os critérios de inclusão foram: pesquisas que investigaram estratégias e/ou medidas de intervenções tópicas para o controle de sangramento em feridas mamárias decorrentes do cancer de mama em adultos. Foram excluídos artigos que versaram sobre medidas locais como cirurgia, radioterapia, quimioembolização, eletroquimioterapia local. A busca limitou-se a humanos e aos idiomas: português, inglês, francês e espanhol e foi realizada de forma independente por dois pesquisadores seguindo o fluxograma PRISMA e revisão por pares. Para a análise dos artigos foram consideradas as variáveis: título, autor e ano de publicação, tipo de estudo, nível de evidência, grau de recomendação, intervenção, indicações e critérios de uso, resultados, conclusões/recomendações das pesquisas. Para classificar nível de evidência e grau de recomendação foi utilizado o modelo de Oxford (2004). Foram identificados 182 artigos um foi incluído por busca manual totalizando 183 artigos; 51 foram excluídos por duplicidade; 70 foram pré-selecionados e 62 excluídos. Dos 70 artigos previamente selecionados 15 foram lidos na íntegra e selecionado um artigo que foi analisado utilizando o instrumento STROBE. Resultados: O estudo que informou a maneira como se deu o uso de alginato de cálcio na hemostasia de feridas malignas decorrentes do câncer de mama foi um estudo frânces, de coorte, sem grupo controle, que envolveu 32 mulheres acompanhadas durante 42 dias para observação de resultados das intervenções tópicas para o controle de sinais e sintomas das feridas. As intervenções eram avaliadas por observação direta e registros nos dias zero, 24 e 42. O alginato de cálcio foi indicado para sangramento do tipo “espontâneo” sendo aplicado diretamente no leito da ferida e obteve melhor controle do sangramento (desfecho positivo). Os autores apresentaram como critério de uso a distinção entre sangramento espontâneo vs sangramento provocado – aquele induzido pela troca de curativos, e recomendaram para o sangramento induzido curativos de petrolato ou de silicone. Tratou-se de um estudo de Observações de Resultados Terapêuticos de evidência nível 2 com grau de recomendação B. Conclusão: Há disponível na literatura um único estudo que gera evidências nível 2 para o uso de alginato de cálcio na hemostasia tópica de feridas malignas decorrentes do câncer de mama com recomendação grau B. O estudo respalda a prática, lança apontamentos técnicos relevantes para a intervenção empírica, porém apresenta fragilidades metodológicas, como a ausência de grupo comparativo, o que sugere necessidade de pesquisas mais robustas. Implicações para a prática clínica: É necessário adotar como critério para o uso de alginato de cálcio como hemostático tópico em feridas malignas decorrente do câncer de mama a distinção do tipo de sangramento apresentado na tomada de decisão quanto à cobertura a ser utilizada.