ATUAÇÃO DOS SETORES DE APOIO PEDAGÓGICO E PSICOLÓGICO DURANTE O PERÍODO DE EXCEPCIONALIDADE

Vol 1, 2022 - 145633
Apresentação Oral
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Resumo

INTRODUÇÃO

Tendo em vista o contexto pandêmico em virtude da COVID-19 em todo o mundo, no Estado do Rio de Janeiro, desde março de 2020, as atividades de um modo geral precisaram ser transformadas para atender os protocolos de contenção da doença. Isso provocou uma mudança em diversos setores que precisaram adotar o trabalho remoto de forma emergencial.
Diante disso, o presente trabalho tem o objetivo de relatar a experiência e analisar alguns dados obtidos durante as ações dos Setores de Apoio Pedagógico (SEPED) e Apoio Psicológico (SEPSI) de uma universidade federal do estado do Rio de Janeiro, a partir do início do trabalho remoto em março de 2020.
Os setores, que fazem parte da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis e são vinculados à Coordenadoria de Políticas Estudantis, foram instituídos a partir do estabelecido pelo Decreto nº 7.234, sobre o Programa Nacional de Assistência Estudantil – PNAES, que prevê entre suas ações, o apoio pedagógico e a atenção à saúde.
Anteriormente ao trabalho remoto, SEPED e SEPSI começaram a atuar de forma conjunta com a realização de atendimentos integrados a estudantes e grupos de recepção com os discentes em lista de espera; alunos estes que haviam solicitado apoio psicológico e indicavam como queixa principal questões acadêmicas. No primeiro momento, a emergência sanitária desencadeada pela pandemia de COVID-19 impôs não apenas o trabalho remoto, mas também a suspensão parcial do, então, novo modelo de atuação dos setores. Tempo de suspensão necessário para reorganizações, adaptações e reavaliações em equipe.
Assim, após os primeiros dias de suspensão das atividades presenciais, os profissionais dos setores entraram em contato com os estudantes que já estavam sendo atendidos presencialmente e foi disponibilizado para cada um deles atendimento online por videochamada ou por e-mail (este último principalmente nos casos que o discente relatou falta de privacidade em casa). Além disso, os estudantes que estavam em atendimento integrado também foram contatados pelo Setor de Apoio Pedagógico. Sendo assim, durante um período houve duas linhas de atuação: atendimento individual online (um profissional atendendo um estudante) e atendimento integrado online (dois profissionais atendendo um aluno).
Com o decorrer do tempo e as discussões nas reuniões semanais de equipe (SEPSI/SEPED), vislumbrou-se retomar uma terceira linha de trabalho. Assim, foi decidido que os estudantes inscritos nos dois grupos de recepção que aconteceriam de forma presencial no final do mês de março de 2020 seriam contatados. Diante da disponibilidade e do interesse por parte deles, começamos a realizar grupos de recepção online, que, após avaliação da equipe, desdobrou-se em grupo de apoio com encontros semanais. Além dos grupos e dos atendimentos integrados, os dois setores passaram a realizar de forma remota, também em conjunto, os Encontros com os estudantes ingressantes; ação que vinha sendo discutida pela equipe a partir do que os profissionais ouviam durante os atendimentos, permitindo compreender que era um momento jamais vivenciado por essas gerações, principalmente devido ao ensino remoto, o distanciamento do espaço físico da instituição e a falta de contato presencial com os colegas.
Ao final de 2020, realizamos avaliações sobre as reflexões das reuniões de equipe, onde eram discutidas as demandas trazidas pelos estudantes e também as vivências com o trabalho remoto. Apesar de uma inicial preocupação em relação às dificuldades que poderiam ser encontradas nos atendimentos on-line, a equipe verificou um bom retorno dos alunos, não somente sobre se sentirem acolhidos em suas questões, como também pelos encontros em grupo, que foram efetivos no compartilhamento de angústias devido à pandemia e o isolamento social, e também outras dificuldades relacionadas à universidade anteriores ao período de isolamento.
Nesse contexto, consideramos que nossa atuação deveria se fundamentar no trabalho com grupos, pois as atividades coletivas são essenciais à criação e fortalecimento de laços, tão necessários para uma parte considerável dos discentes que ressaltam em seus discursos diversas problemáticas relacionadas à dificuldade de pertencimento ao ambiente universitário.
Diante disso, em 2021, investimos nas ações coletivas e integradas com os Grupos de Apoio, Encontros Mensais e Encontros com os estudantes ingressantes. A metodologia utilizada está pautada nas Rodas de Conversa, que, de acordo com Sampaio et al (2014), “possibilitam encontros dialógicos, criando possibilidades de produção e ressignificação de sentido – saberes – sobre as experiências dos partícipes”. Concordamos ainda com os autores, que entendem que esta estratégia metodológica produz conhecimentos coletivos e contextualizados, ao privilegiarem a fala crítica e a escuta sensível, de forma lúdica, não usando nem a escrita, nem a leitura da palavra, mas sim a “leitur-ação” das imagens e dos modos de vida cotidianos.
Quanto aos atendimentos individuais, eles passaram a ser realizados como mais um momento de acolhimento ao estudante. Isso implicou também na ressignificação desse conceito para a equipe e compartilhamos a compreensão exposta no texto “Acolhimento nas práticas de produção de saúde” do Ministério da Saúde (2010) de que o acolhimento deva ser um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma atitude de inclusão. Além disso, promover em nossa prática uma visão ética e de reconhecimento do outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida. Sendo assim, os acolhimentos individuais começaram a ser de duas formas: A ação “Acolhimento” que possibilitará a inserção do discente nos grupos de apoio, a avaliação da equipe e possíveis encaminhamentos; e como atendimento integrado, nos casos em que a demanda do estudante apresenta, de forma substancial, questões importantes ligadas ao outro setor, mas que, dada a complexidade, não se resume a uma simples transferência de caso.
Separadamente os setores vêm realizando Oficinas com convidados e o SEPED promove as Rodas Pedagógicas, que são espaços de discussões acerca das questões acadêmicas, e que já aconteciam de modo presencial e foram reformuladas para o formato virtual.

MÉTODO

Este trabalho buscou analisar dados e informações obtidas por meio das vivências e registros da atuação dos Setores de Apoio Pedagógico e Apoio Psicológico. As principais fontes desses dados se dão a partir da escuta ativa dos estudantes durante os atendimentos individuais e coletivos, dos registros das participações dos discentes nas ações e das reflexões da equipe.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O contexto pandêmico, a implementação das atividades remotas e reflexões em reuniões de equipe sobre o processo de atuação dos setores apontaram para uma necessidade de mudança e uma valorização das atividades em grupo. Isso porque ouvíamos dos estudantes a importância dos espaços de fala, da proximidade com a universidade e das trocas e aprendizagens possibilitadas. Percebemos também que desde o início da pandemia, o discurso institucional supunha um aumento sem precedentes no número de estudantes que iriam solicitar atendimento aos setores, principalmente ao SEPSI. No entanto, não foi o que aconteceu. Assim, ao nos colocarmos numa posição de escuta, no tempo de cada estudante, e não antecipadamente, foi possível propor ações diversas que possibilitaram, e ainda possibilitam, a aproximação com a comunidade acadêmica; pretendendo também evitar a evasão dos estudantes, conforme os princípios do PNAES.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A escuta aos estudantes e as reflexões da nossa prática implicam no constante repensar da estrutura do trabalho que realizamos, o que não será diferente com o iminente retorno das atividades presenciais, significando que novas mudanças podem ser necessárias a partir das demandas que venham a surgir. No entanto, mesmo que as ações tenham alterações, os fundamentos do trabalho em grupo e da ideia de acolhimento seguirão sustentando nossa atuação.

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Instituições
  • 1 Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO
Eixo Temático
  • 1. Apoio ao estudante
Palavras-chave
apoio pedagógico
Apoio psicológico
Ensino Superior