Isolamento, identificação e classificação de linhagem fúngica termofílica

Vol. 2, 2019. - 114350
Resumo
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Resumo

Introdução: Os fungos são microrganismos eucarióticos que apresentam um reino próprio e uma vasta gama de características singulares, como a sobrevivência a altas temperaturas. A maioria dos organismos existentes não resiste quando expostos a elevadas temperaturas, devido a desnaturação proteica. Porém, alguns fungos apresentam adaptações que permitem a sua sobrevivência nesse tipo de ambiente, entre elas a substituição em suas membranas de ácidos graxos insaturados por saturados, obtendo, assim um equilíbrio entra sua densidade e fluidez, sendo essencial para a sua integridade funcional e física em um ambiente de altas temperaturas. Embora atualmente se conheça aproximadamente 120.000 espécies de fungos em todo o mundo, apenas 40 espécies de fungos termofílicos são conhecidos, e a classificação de certas espécies fúngicas como termotolerante ou termófilas não está clara na literatura. Os elevados níveis de devastação e endemicidade do Bioma Mata Atlântica levaram a sua classificação como hotspot de biodiversidade do planeta, o que significa que as espécies dessa região merecem atenção, devido ao seu alto perigo de extinção. Desse modo, estudos em áreas altamente degradadas como o Bioma Mata Atlântica representam o esforço para o conhecimento de biodiversidade do Brasil, aumentando assim o inventário de espécies conhecidas. Assim como, a classificação de cepas fúngicas termofílicas permite uma melhor exploração racional desses microrganismos, como a aplicação de enzimas ativas em elevadas temperaturas em processos biotecnológicos. Métodos: A cepa fúngica foi isolada a partir de amostras de solo de remanescentes do Bioma Mata Atlântica da região Centro-Sul do Paraná. O fungo foi isolado a 45 ºC, utilizando Ágar Sabouraud adicionado de cloranfenicol (100 mg L-1), que impediu o crescimento bacteriano. Após sucessivos repiques, a linhagem pura foi identificada a nível de gênero e espécie por meio de análise molecular, utilizando como marcador a região Internal Transcribed Spacers (ITS) ribossomal. Posteriormente a cepa foi cultivada em meio de Vogel e incubada em quatro temperaturas distintas: 22 ºC, 34 ºC, 45 ºC e 55 ºC. O crescimento fúngico foi acompanhado diariamente por sete dias e registrado com o auxílio de uma régia milimetrada, para posterior análise. Resultados: Após a comparação das sequências obtidas com as disponíveis no GenBank, a linhagem foi identificada como Aspergillus fumigatus. A cepa isolada apresentou crescimento evidente em todas as faixas de temperatura testadas, sendo 22 ºC (1,9 mm), 34 ºC (5,9 mm), 45 ºC (5,8 mm) e 55 ºC (0,4 mm). Conclusões: O marcador ITS foi informativo na identificação do fungo como A. fumigatus. A respectiva linhagem, exibiu crescimento similar quando crescida a 34 e 45 °C, sendo classificada como termotolerante. Estas informações são de grande importância, pois auxiliam na compreensão da diversidade fúngica do solo do Bioma Mata Atlântica.

Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Londrina
  • 2 Universidade Estadual do Centro-Oeste
Eixo Temático
  • Biotecnologia Microbiana
Palavras-chave
Mata Atlântica
Hotspot de biodiversidade
fungo
Micologia
Biotecnologia