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Introdução: A doença de Chagas é uma infecção hematológica causada pelo protozoário flagelado Trypanosoma cruzi e transmitida pelo inseto Triatoma infestans. A Organização Mundial de Saúde estima que há 7 milhões de pessoas infectadas em todo mundo com a maioria na América Latina. Outro problema de saúde pública é a resistência bacteriana aos antibióticos, pois muitas bactérias deixaram de responder aos mesmos. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi identificar a composição química dos óleos essenciais (OEs) e avaliar as atividades trypanocida e antibacteriana das espécies Guatteria punctata e Duguetia quitarensis (Annonaceae), coletadas no estado de Rondônia.
Métodos: A identificação da composição química dos OEs foi realizada por cromatografia a gás acoplada à espectrometria de massas (CG-EM), comparação com dados da biblioteca (NIST11) e dados da literatura. A atividade trypanocida foi avaliada utilizando-se o ensaio da betagalactose com modificações. A metodologia avalia, simultaneamente, a atividade sobre trypomastigotas presentes no sangue e formas amastigotas intracelulares presentes nos tecidos do hospedeiro vertebrado durante as fases aguda e crônica da doença. A atividade antibacteriana foi avaliada, qualitativamente, pelo método de difusão em Ágar – técnica do poço pela presença ou ausência da zona de inibição frente a bactérias Gram-positivas: Streptococcus mutans, Streptococcus pyogenis e Staphylococcus resistente à meticilina e Gram-negativas: Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa.
Resultados: A composição química dos OEs das partes aéreas de G. punctata e D. quitarensis forneceu de 20 e 23 constituintes, correspondendo a 79,3 e 97,3% da composição total, respectivamente. Os constituintes majoritários de G. punctata foram Germacreno D (19,8%), (E)-Nerolidol (9,9%) e (E)-Cariofileno (8,4%). Para D. quitarensis os constituintes majoritários foram 4-Heptanol (33,8%), -Thujeno (18,4%) e (E)-Cariofileno (14,4%). Os OEs das duas espécies apresentaram excelentes atividades trypanocida, sendo o OE de G. punctata o mais ativo com IC50 de 0,029±0,014 µg.mL-1, sendo 34 vezes mais ativo que o controle positivo benznidazol (1 µg.mL-1). O OE de G. punctata apresentou graus de atividade antibacteriana que variam entre parcialmente ativo a muito ativo frente aos microrganismos E. coli, P. aeruginosa e Staphylococcus resistente à meticilina, sendo considerado muito ativo frente a P. aeruginosa (19,00±0,00 mm). O óleo de D. quitarensis apresentou graus de atividade antibacteriana que variam entre parcialmente ativo a ativo frente aos mesmos microrganismos, sendo considerado ativo frente a E. coli (13,00±0,00 mm).
Conclusões: A identificação da composição química dos OEs correspondeu a 79,3 a 97,3% da composição total para G. punctata e D. quitarensis, respectivamente. A identificação da composição química e avaliação das atividades trypanocida e antibacteriana está sendo reportada pela primeira vez. Os OEs das duas espécies apresentaram boas atividades frente ao protozoário T. cruzi, destacando a atividade apresentada para o OE de G. punctata que foi 34 vezes mais ativo que o benznidazol utilizado como controle positivo. Os OEs das duas espécies foram ativos frente às linhagens Gram-positivas e Gram-negativas com destaque à atividade apresentada pelos OEs das duas espécies frente ao microrganismo P. aeruginosa que é altamente resistente aos antibióticos e uma das principais causadoras de infecções hospitalares.
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