Identificação de genótipos resistentes à mancha aureolada para a introgressão gênica em programas de melhoramento do cafeeiro

Vol. 5, 2024 - 320561
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Resumo

A cafeicultura é uma atividade há séculos consolidada pelo mundo e o café uma das principais commodities comercializadas. O Brasil apresenta papel fundamental na cafeicultura mundial, sendo o maior produtor e exportador de café arábica e robusta. Para assegurar a viabilidade da atividade, alguns problemas devem ter enfoque maior, como a constante coevolução planta-patógeno e a consequente perda de eficácia de produtos químicos no controle de doenças nas lavouras. Dentre as doenças de importância para o produtor temos a mancha aureolada, causada pela bactéria Pseudomonas syringae pv. garcae, que é capaz de causar desfolha, além de lesões em flores e frutos. O prejuízo pode ser maior em viveiros devido às condições favoráveis à infecção. Atualmente é possível que se faça o monitoramento da resistência qualitativa à mancha aureolada a partir do uso de marcadores moleculares, permitindo a piramidação de genes de interesse e a consequente seleção de materiais promissores, sem que haja danos ao material avaliado. Diante do exposto, o objetivo do trabalho foi caracterizar progênies e cultivares, provenientes do programa de melhoramento da Fundação Procafé, em relação a resistência à mancha aureolada. Para isso, foi utilizado o DNA genômico de 65 materiais, sendo 34 progênies e 31 cultivares. As reações de amplificação (PCR – reação em cadeia da polimerase) foram realizadas utilizando o DNA genômico (100 ng), MgCl2 (2.0 mM), dNTP (150 mM), solução tampão (2 mM), primers forward e reverse (0.2 µM) do marcador para resistência à mancha aureolada baseado em SNP Psg_QL1, enzima TAq Polimerase (0.8 unidades) e água ultra pura, para um volume final de 20µL de reação. As condições para amplificação foram: desnaturação inicial à 95°C por 5 minutos; 30 ciclos à 95°C por 30 segundos, com anelamento à 55°C por 30 segundos e extensão da fita à 72°C por 30 segundos; e uma extensão final à 72°C por 8 minutos. A cultivar IPR102 foi utilizada como controle portador do alelo de resistência. Por meio da análise de eletroforese em gel de agarose (1.5%), observou-se a presença do alelo de resistência em apenas dois dos materiais utilizados, sendo eles a cultivar Arara e uma progênie derivada do cruzamento entre Sarchimor amarelo x Siriema. Amostras da cultivar Arara coletadas em outras localidades não apresentaram o alelo de resistência, corroborando com a literatura que descreve a susceptibilidade desta cultivar à mancha aureolada. No entanto, a presença da marca de resistência sugere o grande potencial desses dois materiais avaliados. Apesar de poucos, ambos contribuem para ampliar a base genética de materiais resistentes, podendo ser utilizados em cruzamentos com materiais agronomicamente interessantes. Além disso, torna-se possível a introgressão do gene de interesse no programa de melhoramento, a fim de ampliar a base das resistências a doenças que afetam o cafeeiro.

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Instituições
  • 1 Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Café
  • 2 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Brasília - Distrito Federal, Brasil;
  • 3 Universidade Federal de Viçosa-UFV
Eixo Temático
  • 6. Melhoramento de espécies perenes
Palavras-chave
Coffea arabica
mancha aureolada
seleção assistida por marcadores (SAM)
melhoramento de plantas perenes