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Resumo

Apresentação/Introdução Apresentação: Nos sertões do Ceará, Nordeste do Brasil, predomina o bioma caatinga e o clima semiárido, sendo, a relação saúde e ambiente permeada por mudanças relacionadas às estiagens severas, intensificadas pelas alterações climáticas e processos produtivos não sustentáveis e degradantes. Os povos indígenas do semiárido buscam alternativas e soluções que reduzam o impacto do desmatamento e da degradação ambiental causadas pelos empreendimentos poluidores. A garantia da sobrevivência dos seus territórios, está articulada a preservação dos seus lugares sagrados, das matas, que produzem espécies utilizadas nas medicinas indígenas e nos rituais espirituais, contribuindo com o clima. Há um descompasso com a política de saúde, que desconsidera a necessidade de readequar a prática dos profissionais, considerando as mudanças climáticas e a saúde. Objetivos Objetivos: elaborar um diagnóstico participativo e um plano de ação para o enfretamento dos efeitos sociais, educacionais, histórico-culturais, ambientais, econômicos e de saúde associados às mudanças climáticas com povos indígenas do semiárido cearense. Metodologia Metodologia: Trata-se de um recorte de uma pesquisa-ação-participativa realizada em territórios indígenas nos Polos Base de Crateús (975 famílias em 18 Aldeias) e de Monsenhor Tabosa (1203 famílias em 39 Aldeias), no Ceará. Foram realizadas, em março e abril de 2025, três oficinas territoriais participativas, com 81 participantes indígenas, nas aldeias Realejo em Crateús, Mundo Novo e Olho D’Água dos Canutos em Monsenhor Tabosa. A pesquisa foi aprovada pelo CEP nº 7513391 e CONEP nº 7544866. Foram utilizadas metodologias participativas que valorizaram o diálogo, como círculos de cultura, mapeamento participativo e elaboração de planos de ação para enfrentamento dos problemas identificados. Foi realizada uma Oficina de compartilhamento dos resultados das três oficinas territoriais, em agosto de 2025 na sede da Fiocruz Ceará, com a participação de lideranças indígenas, pesquisadores, profissionais de saúde indígena e representantes do DSEI – Ceará para definir medidas de enfrentamento aos problemas identificados. Resultados Resultados: No mapeamento e na elaboração do plano de ação, percebe-se a potência de articulação, mobilização, participação e engajamento dos povos indígenas nas discussões que envolvem a luta política pela demarcação da terra, o reconhecimento da identidade cultural de Ser Indígena em meio aos sertões como protagonistas da defesa da natureza. Percebe-se uma intensa participação e liderança das mulheres no Movimento Indígena Potygatapuia que organiza 30 aldeias e no Movimento Indígena Tabajara da Serra das Matas que organiza 9 aldeias. No Sertão estão as etnias Potyguara, Tabajara, Tubiba-Tapuia,Gavião, Tabajara, Tupinambá, Kalabaça e Kariri. Há dois Polos Base implantados, gerenciados pelo DSEI-CE com equipes de saúde, que implantam a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI) na Atenção Primária a Saúde (APS). Discussão Discussão: Foram enfatizadas questões relacionadas a escassez de água, a falta de saneamento, desmatamento, contaminação das águas, os efeitos no modo de vida e saúde na relação com o ambiente, a oferta dos serviços básicos de saúde e de saúde mental. A leitura transversal dos territórios, a partir dos mapas, dos problemas e das ações já pactuadas e realizadas nos planos de ação, permitiu discutir dentre a formação para profissionais do SASI-SUS, com temas prioritários para abordagem de questões socioambientais relacionadas a emergência climática no semiárido, dentre outras ações a serem deflagradas nas aldeias pelas lideranças indígenas e profissionais. Conclusões/Considerações Conclusões: Entendemos, que o indígena, que vive e resiste no semiárido, tem um saber sobre o cuidado em saúde, a promoção da saúde e vigilância popular em saúde, que nem sempre é conhecido pelo serviço de saúde. Esse saber precisa ser reconhecido e aprendido pelos profissionais da saúde para desenvolver uma atenção diferenciada e intercultural, que contribua para o enfrentamento dos processos de vulnerabilização dos modos de vida dos povos indígenas, relacionados as mudanças climáticas no semiárido.

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Eixo Temático
  • Eixo 02 - Problemas e atuação para a transformação nos Territórios de Vida e Trabalho
Palavras-chave
Saúde Indígena
Mudança Cimática
Modo de Vida