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Contextualização A psicologia como serviço de saúde e desenvolvimento humano ainda encontra barreiras geográficas, socioeconômicas e estigmas que giram em torno da saúde mental. A dificuldade de acesso no SUS transgride o conceito de equidade, as filas de espera do SUS atreladas à carência de profissionais da psicologia afastam o sujeito desse espaço de legitimação da sua fala. Os Agentes de Combate às Endemias (ACE), trabalhadores expostos há muitas décadas aos agrotóxicos em seu processo de trabalho, são afetados por agravos a saúde física e mental, sintomas como: alterações do sono, depressão, irritabilidade, ideação suicida, ansiedade e danos neuropsicológicos. As evidências de adoecimento mental mostraram a necessidade de acompanhamento e acolhimento dessa categoria. Descrição da Experiência Os atendimentos iniciaram em 2019, visando o acolhimento dos ACE que apresentaram score alto para ideação suicida no Self-Reporting Questionnaire (SRQ20), ferramenta usada para rastreio de Transtornos Mentais Comuns. Os atendimentos iniciaram com psicoterapia individual realizada semanalmente (de 1 a 2 vezes). A modalidade remota oportunizou a quebra da barreira geográfica e a manutenção do vínculo por meio do acesso, abrangendo trabalhadores com questão de mobilidade física e na pandemia do COVID-19 e foi um aliado ao dirimir as questões de distanciamento social. Foram oportunizados também espaços integrados de discussões sobre saúde mental, palestras, grupos de encontro que ocorreram de forma remota. Objetivo e período de Realização Acolhimento dos trabalhadores e trabalhadoras do combate vetorial visando mitigar os danos à saúde mental causados pela exposição aos agrotóxicos com a criação de espaços de reflexões e debates sobre a importância da implementação do cuidado de saúde mental dos ACE que lidam não só com os perigos da exposição, mas também com questões sociais, como violência, precarização, etc. Resultados Os atendimentos tiveram início em dezembro de 2019, com uma interrupção em 2022, sendo retomados em 2025 e mantidos de forma ininterrupta até a data de elaboração deste resumo. Aprendizado e Análise Crítica Durante o período de atendimento observou-se a necessidade de reconfiguração do setting terapêutico. O espaço em que o trabalhador se encontrava passou a constituir, dentro das possibilidades, um ambiente de cuidado e segurança. A experiência evidenciou que, mesmo diante da barreira da distância, é possível construir vínculos terapêuticos por meio de uma escuta qualificada. Além disso, o atendimento remoto ampliou o acesso ao cuidado em saúde mental, permitindo alcançar idosos e pessoas residentes em outras cidades e regiões que não dispõem de profissionais especializados. A nocividade desses venenos é invisibilizada por discursos de combate à fome ou a ideia de níveis “seguros” de exposição. No entanto, tratam-se de substâncias concebidas para eliminar organismos vivos e que seguem sendo produzidas e dispersas deliberadamente com impactos sobre corpos e territórios ao contaminar ecossistemas e o bioma. No caso dos ACE, a exposição prolongada ao longo de décadas repercute não apenas na saúde física, mas também na saúde mental. Além do sofrimento decorrente do adoecimento do próprio corpo, esses trabalhadores convivem com o adoecimento e a morte de colegas de trabalho, o que intensifica sentimentos de medo, insegurança e a percepção de sua própria finitude. A luta pelo banimento de agrotóxicos revela-se complexa. Além de estudos tendenciosos que embasam o consumo desses venenos, os marcos regulatórios mostram-se frágeis ou insuficientes. A adoção de uma postura que questione a presença de produtos químicos perigosos nos setores agrícola, sanitário e doméstico enfrenta forte resistência de grupos econômicos que lucram com o consumo desses venenos. Nesse contexto, torna-se fundamental ampliar o debate sobre a reconstrução de políticas que priorizem o banimento de venenos já proibidos em outros países, bem como fortalecer a atenção integral à saúde dos trabalhadores expostos.
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