Oxidação de metanol com liberação controlada por surfactantes em interfaces do tipo óleo-água
A imiscibilidade entre alguns líquidos gera interfaces interessantes, que podem ser alvos de diversos estudos eletroquímicos envolvendo diferentes propriedades, como a composição final em equilíbrio, constante dielétrica, orientação e associações específicas entre os solventes, bem como o mecanismo de transferência de carga e massa nas regiões interfaciais dos líquidos imiscíveis. Tais estudos possibilitaram a aplicação da eletroquímica diretamente em óleo vegetal e similares. Um exemplo é o da avaliaçãode pesticidas e outros contaminantes na fase óleo, sem a necessidade de metodologias complicadas de pré-tratamento das amostrasnão aquosas [1,2]. Neste contexto, a análise direta de metanol em óleos apresenta grande importância do ponto de vista tecnológico, tendo em vista que sua presença residual no processo de transesterificação pode acarretar um aumento de custos para a produção de biodiesel, caso a estequiometria da reação não seja obedecida ou que resíduos de metanol apareçam de maneira importante no produto final[3]. Outros estudos de interesse tecnológico relacionados a este tema são a remediação de contaminações por metanol, que envolvem matrizes não aquosas e a contaminação de óleos essenciais por este álcool, que é significativamente tóxico. Neste trabalho,utilizou-se um sistema interfacial constituído por óleo mineral e ácido sulfúrico 0,5 mol L-1para a realização das análises. Diferentes composições de surfactantes foram utilizadas para liberar o metanol de forma controlada da fase óleo para a fase aquosa, que era então detectado na interface óleo-água. Eletrodos de carbono vítreo foram modificados com filmes de Pt/C (20% de carga de catalisador), para realizara reação de oxidação do metanol em meio ácido. A fim de monitorar a oxidação,utilizou-se uma célula eletroquímica convencional de 3 eletrodos, acoplada a um potenciostato/galvanostato Autolab Type III. Os voltamogramas resultantes dessa análise apresentaram perfis característicos para a oxidação do metanol e confirmam a possibilidade de utilização de tal metodologia a para se fazer detecções diretas em amostras de óleos diretamente na interface, sem a necessidade de realização de complicados processos de pré-tratamentos nas matrizes oleosas.