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Imunossensor a base de Biochar para detecção de Hantavírus araucária.

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As Hantaviroses são um grave problema de saúde pública no Brasil, alcançando uma taxa de 40% de mortalidade. Em humanos, hantaviroses ocasionam duas enfermidades: febre hemorrágica com síndrome renal e síndrome pulmonar por Hantavírus. Cada Hantavírus é carregado por um hospedeiro específico, geralmente roedores, e transmitido à humanos através de seus excrementos. O diagnóstico, em estágios iniciais e intermediários da doença, consiste na detecção de anticorpos IgG específicos, ou IgM, contra o vírus, ou na detecção da proteína nucleocapsídica do vírus, em estágios agudos ou avançados[1]. Com a necessidade de desenvolver novas metodologias para o diagnóstico do patógeno, vem sendo investigado diversas plataformas para a criação de imunossensores para a detecção do vírus. A fim de desenvolver um imunossensor label-free para detecção de Hantavírus utilizou-se o biochar, um material rico em carbono originado da queima da biomassa e com superfície altamente funcionalizada [2], como suporte de ancoramento para proteínas, na criação de um novo dispositivo eletroanalítico. Para isso, o biochar foi tratado em condições ácidas, sob refluxo a 70ºC, para garantir à superfície grupamentos funcionais majoritariamente carboxílicos, e confeccionado um eletrodo de pasta de carbono modificado com o biochar tratado com 20% (m/m). Os grupos carboxílicos permitem a realização de uma reação de ligação cruzada para ancoramento do anticorpo IgG específico, assim como do antígeno. O processo de ancoramento do anticorpo, bem como da albumina do soro bovino, a qual bloqueia sítios de reação inespecífica, foi caracterizado pela técnica de espectroscopia de impedância eletroquímica. Estudos preliminares de detecção do estágio agudo da doença foram realizados a partir da técnica de voltametria cíclica, utilizando ferricianeto de potássio como sonda eletroquímica. Após alguns processos de otimização da metodologia, obteve-se uma correlação linear de 5 ng mL-1 a 50 ng mL-1 , a medida que a concentração de antígeno ligado ao anticorpo imobilizado aumenta. A seletividade do dispositivo foi avaliada utilizando-se a proteína viral VP2 da doença de Gumboro. Ainda será avaliado o dispositivo em detecção de estágio intermediário da doença, realizando ancoramento do antígeno do Hantavírus para detecção do anticorpo IgG, bem como avaliação da sua seletividade.