Fibras Poliméricas com Potencial Aplicação em Sensores Eletroquímicos
Dentre as metodologias utilizadas para fabricar nano e microfibras com potencial aplicação em sensores eletroquímicos, destaca-se a técnica de eletrofiação, que emprega a força eletrostática. Deste modo o presente trabalho visa o desenvolvimento de um sensor eletroquímico para determinar o fármaco metronidazol em soluções aquosas baseado em fibras poliméricas de Ecovio® produzidas por eletrofiação. A solução poliméricade 15% (m/v) de Ecovio® foi preparada em clorofórmio e dimetilformamida (DMF) na proporção de 85:15% (v/v), sendo que os parâmetros para a técnica foram: fluxo de 1,80 mL h-1, distância entre a ponta da agulha e o alvo coletor de 16 cm e tensão de 18 kV. A fim de avaliar o surgimento das fibras, bem como sua morfologia e diâmetro, realizou-se a análise de microscopia eletrônica de varredura (MEV), sendo possível observar fibras contínuas, porosas e com diâmetro médio de 4,1325 ± 1,6024 μm, mostrando dessa forma, uma elevada área superficial e um reordenamento das estruturas poliméricas ocasionado pelo processo de eletrofiação. Para a confecção do sensor e a fim de comparação, tanto as fibras quanto os grânulos de polímero passaram por um tratamento térmico a 550ºC em atmosfera dinâmica de nitrogênio por 4 horas, o tratamento térmico se fez necessário, pois o polímero usado é não condutor. O material obtido foi suspenso em DMF na proporção de 2 mg/mL, sendo que5 μL dessa suspensão foi colocado sobre um eletrodo de carbono vítreo e a resposta do eletrodo avaliada para o fármaco metronidazol usando a voltametria cíclica. O fármaco apresentou um pico de redução irreversível para todos os eletrodos testados, entretanto o que apresentou perfil voltamétrico mais definido e com maior intensidade de corrente de pico foi o eletrodo de carbono vítreo modificado com o material obtido pela eletrofiação com posterior tratamento térmico(Ip= 22,58μA), tendo um aumento de aproximadamente 32% em relação ao carbono vítreo puro(Ip= 15,29 μA), sendo que a resposta para o carbono vítreo modificado com os grânulos apenas tratados termicamente(Ip= 10,10 μA) foi inferior a ambos os eletrodos após a modificação, isso ocorre, pois as fibras apresentam uma estrutura micrométrica diferenciada obtida devido ao processo de eletrofiação, diferente dos grânulos obtidos comercialmente. Além disso, os resultados indicam que o sensor a base de microfibras poliméricas apresenta propriedade catalítica (Ep=0,75 V) em relação ao carbono vítreo puro (Ep= 0,78 V) e aos grânulos (Ep= 0,76 V). Tais resultados demonstram que o sensor a base de fibras poliméricas, é promissor como sensor eletroquímico em soluções aquosas.