Efeito do eletrólito de suporte na eletro-oxidação de ureia
Grande parte da contaminação de água por compostos interferentes endócrinos, está relacionada com a excreção de fármacos pelo corpo humano. Uma parte das substâncias ingeridas não é metabolizada pelo organismo sendo, portanto, excretada em sua grande parte na urina. A urina é composta de vários sais e substâncias orgânicas, dentre as quais destacam-se a ureia (Ur) e creatinina1. Tendo em vista que estes dois compostos podem atuar como interferentes na degradação de outras substâncias orgânicas, o trabalho teve por objetivo avaliar a degradação da Ur pelo método eletroquímico, utilizando um ânodo dimensionalmente estável. Foi empregada uma célula eletroquímica do tipo filtro-prensa com ânodo comercial de Ti/Ti0,7Ru0,3O2 e cátodo de Ti, ambos com 14 cm2. Utilizou-se 400 mL de solução de Ur (1 g L-1) em meio de NaCl (0,1 mol L-1), K2SO4 (0,033 mol L-1) e NaClO4 (0,1 mol L-1), a fim de avaliar o efeito do eletrólito de suporte. As eletrólises foram realizadas por 2 horas à 25 ºC, pH = 3 e densidades de corrente (japp) de 10 a 30 mA cm-2. A concentração de Ur foi determinada por UV-vis, através da reação de 1,5 mL de solução etanólica de H2SO4 4% (v/v) e p-dimetilaminobenzaldeído 4% (m/v), 1,0 mL de amostra e 1,5 mL de H2O. As absorbâncias foram medidas após 10 min em λ = 430 nm. A Tabela 1 mostra os resultados obtidos para a degradação da Ur em meio de NaCl. É possível observar que o aumento da japp favorece a remoção de ureia da água, uma vez que mais espécies oxidantes são produzidas para degradação. A cinética de degradação foi determinada como de pseudo-ordem um, obtendo-se uma constante de velocidade diretamente proporcional à japp. Da mesma forma, o consumo energético aumenta quando mais corrente é aplicada ao processo, desfavorecendo as japp mais altas. Para avaliar o eletrólito de suporte, foi utilizada japp = 20 mA cm-2 para os meios de sulfato e perclorato. Nos dois casos as degradações não foram efetivas, apresentando variações de 0 a 4,5% e 0 a 6,4% na remoção de Ur em SO42- e ClO4-, respectivamente. Esses resultados podem ser atribuídos à boa eficiência do ânodo utilizado para evolução de Cl2, sendo produzida uma alta concentração de espécies ativas de cloro (HClO e ClO-), que oxidam o poluente. Portanto, o cloreto é considerado o melhor meio para degradação de ureia, considerando o sistema utilizado. Para melhor avaliar esses resultados, análises de carbono orgânico total estão em andamento, podendo, assim, quantificar a remoção de matéria orgânica e calcular a eficiência de corrente em cada processo estudado.