Desenvolvimento de Microchip Eletroforético para Testes Triagem de Compostos que Degradam DNA
Drogas citostáticas são substâncias citotóxicas utilizadas no tratamento do câncer com finalidade de bloquearem a sequência metabólica de células. Seu mecanismo de ação envolve desde interação, fragmentação até oxidação das bases do DNA, onde o produto principal da oxidação é a formação da 8-oxoguanina. Diversas substâncias são empregadas no tratamento do câncer, as quais se incluem os alquilantes polifuncionais, os antimetabólitos, os antibióticos antineoplásicos e os inibidores mitóticos. O objetivo desse trabalho foi o desenvolvimento de um microchip eletroforético de baixo custo de fabricação e miniaturizado, capaz de realizar testes triagem de compostos que possam provocar lesões no DNA, tais como fragmentação, abertura das fitas e oxidação das bases com formação da 8-oxoguanina. Para isso, foi desenvolvido um sistema eletroforético a base de capilar de sílica fundida, com detecção eletroquímica, utilizando um fio de ouro como eletrodo de trabalho, prata como referência e platina como auxiliar. Foram realizados testes com algumas substâncias, dentre elas a doxorubicina um antibiótico antineoplásico da classe das antraciclinas, um agente intercalante e oxidante do DNA e o timol um composto natural que causa toxidade ao DNA. A -Lapachona foi usada como controle negativo. Para as análises de dsDNA com doxorubicina no microchip foram utilizados nos potenciais de +500 V por 5 s para injeção, +1500 V para separação e para detecção +0,4 V. As análises foram realizadas em tampão borato, pH 9,5. Foi realizada uma redução da quinona por 60 s para a geração da semiquinona da doxorubicina. As análises com dsDNA na presença de timol foram realizadas em tampão TAE (Tris-Acetato-EDTA) no microchip utilizando polaridade reversa e potenciais de -500 V por 10 s para injeção, -500 V para separação e para detecção +0,8 V em análises com gel de agarose 0,1%. Foi realizado também AFM em MICA modificada com dsDNA, utilizando poli-L-lisina para validar os resultados obtidos no microchip. Com os dados obtidos em microchip eletroforético com a doxorubicina foi possível identificar um pico de oxidação da guanina após 50 s, que posteriormente foi comprovado pela adição de padrões de 8-oxoguanina. Para o timol foi identificado diversos picos, provavelmente provenientes da fragmentação e exposição das bases da macromolécula de dsDNA. As imagens de AFM mostram que o dsDNA com poli-L-lisina na MICA está bem distribuído sobre toda a superfície apresentando altura de 1 nm e após a adição do timol apresentaram alterações de conformações das fitas de dsDNA formando assim fragmentos com alturas de 0,5 nm, confirmando assim os resultados obtidos no microchip. O método mostrou-se promissor para verificar toxicidade de moléculas ao DNA.