Desenvolvimento de Biossensor Enzimático Baseado em Peroxidade de Bocaiúva para Determinação de Levodopa em Fármacos
Neste trabalho, otimizou-se a construção de um biossensor enzimático baseado em peroxidase de bocaiúva (Acrocomia aculeata Lodd) imobilizada em montmorilonita, para a determinação de levodopa (l-dopa) em formulações farmacêuticas. A l-dopa é administrada em pacientes com a doença de Parkinson, doença neurológica degenerativa progressiva, causada por uma diminuição intensa da produção de dopamina. Por ação da enzima dopa descarboxilase, a l-dopa é convertida em dopamina, restaurando a neurotransmissão cerebral (1,2). O extrato enzimático de peroxidade foi obtido da bocaiúva, fruta nativa do bioma do cerrado, apresentando atividade de 8.270 unidades mL-1. Para construção do biossensor 1.000 unidades mL-1 de enzima foram imobilizada sem argila mineral e incorporadas a uma pasta a base de carbono contendo pó de grafite, nanotubos de carbono de paredes múltiplas (NTCPMs) e óleo mineral, com a seguinte composição grafite/NTCPMs/suporte/Nujol (36,4/9,1/9,1/45,5%m/m). Para avaliar a imobilização do extrato enzimático no suporte e a homogeneidade da pasta de carbono, empregou-se a técnicas de IV e MEV. A l-dopa foi determinada pela redução direta da quinona liberada biocataliticamente em -0,2V vsAg/AgCl (3,0 mol L-1), empregando a técnica de voltametriade onda quadrada (VOQ). Para a otimização da resposta do biossensor, diversos parâmetros foram investigados. A melhor resposta foi obtida em tampão fosfato 0,1 mol L-1 (pH 6,5), 4,0x10-4 mol L-1 de peróxido de hidrogênio e 1000 unidades mL-1 de peroxidase, com frequência de 50 Hz, amplitude de pulso de 100 mV e um incremento de varredura de 2 mV. As características deste biossensor, incluemvalores derepetibilidade (N=12) com DPR de 1,8% e precisão intermediária (N=5) com DPR de 0,8%, os quais estão dentro dos padrões estabelecidos pela ANVISA 3. A curva analítica apresentou uma resposta linear na faixa de 0,785 a 4,60 mg L-1 (r2= 0,992).Os limites de detecção e quantificação foram, respectivamente, 0,056 e 0,17 mg L-1. A estabilidade do biossensor foi avaliada durante 11 semanas e se manteve dentro dos limites de controle estatístico (99% de confiança), evidenciando a eficiência da imobilização do extrato enzimático na nanoargila. Estudos estão em andamento para avaliar a exatidão da resposta e aplicação do biossensor em formulações farmacêuticas.