Tuberculose Latente em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal

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Detalhes
  • Tipo de apresentação: Trabalho Original
  • Eixo temático: 1. Medicina
  • Palavras chaves: Doença inflamatória intestinal; Tuberculose Latente; Prova Tuberculínica; Imunobiológico;
  • 1 Pontifícia Universidade Católica de Campinas
  • 2 Universidade Estadual de Campinas

Tuberculose Latente em pacientes com Doença Inflamatória Intestinal

Fernanda de Brito Fortuna

Pontifícia Universidade Católica de Campinas

Resumo

Tuberculose Latente em Pacientes com Doença Inflamatória Intestinal

Fernanda de Brito Fortuna (1), Glaucia Fernanda Soares Ruppert Reis (2), Cristiane Kibune Nagasako (2)

1- Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas-SP;
2- Universidade Estadual de Campinas, Campinas-SP

Introdução: 

A evolução terapêutica no tratamento da Doença de Crohn (DC) e Retocolite Ulcerativa (RCU) representou grande impacto na melhora da qualidade de vida dos pacientes. O advento de fármacos como os agentes inibidores do fator de necrose tumoral (Anti-TNFs), modificaram a história natural destas doenças. No Brasil, há alta incidência e prevalência de Tuberculose (TB) e o uso da terapia biológica pode culminar em reativação da doença em estado latente (ILTB).

Objetivos:

Avaliar a prevalência de ILTB nos pacientes em acompanhamento no ambulatório de Diarreias Crônicas da Disciplina de Gastroenterologia Clínica do Hospital de Clínicas da UNICAMP, comparar o perfil clínico, epidemiológico e endoscópico dos pacientes com prova tuberculínica (PT) positiva e negativa; e avaliar adesão ao tratamento da ILTB.

Métodos:

Estudo retrospectivo, observacional, transversal dos pacientes com diagnóstico de DC e RCU. Foram selecionados apenas os pacientes que realizaram PT durante o seguimento ambulatorial. Os dados clínicos, epidemiológicos e endoscópicos foram registrados em um banco de dados. Foram comparados os grupos com PT positiva e negativa e analisados o tratamento da ILTB.

Resultados:

Dos 240 pacientes atendidos no período de 2015 a 2019, foram incluídos 163 (idade média 45,17 ± 15,4 anos; 59,3% sexo feminino). A principal indicação para a PT foi pré tratamento com anti-TNF (n=90, 55,2%) e imunossupressor (n=53, 32,5%). A PT foi positiva em 21,1% (n=36∕163), sendo 20,9% ILTB e 1,2% TB ativa. Houve alteração radiográfica em 14,7% dos pacientes com ILTB. Comparando-se os grupos PT positiva e negativa não houve diferença estatística nas variáveis idade (p꞊0,62), gênero (p꞊0,34), tipo de DII (p꞊0,18), tabagismo (p꞊0,07), manifestações extra intestinais (p꞊1,0), atividade endoscópica (p꞊0,82), complicações (p꞊1,0) e cirurgias por DII (p꞊1,0). Também não houve diferenças na terapêutica: uso de corticoide (p꞊0,44), 5-ASA (p꞊0,34), imunossupressores (p꞊0,57) e anti-TNF (p꞊0,45). A profilaxia com Isoniazida (H) foi indicada para 25 dos 36 pacientes com PT positiva, destes 24% (n=6) não completaram o tratamento (n=4 por não aderência e n=2 por efeitos colaterais). A ocorrência de efeito adversos foi de 40%, sendo a hepatotoxicidade a mais prevalente (15%).

Discussão:

A prevalência de ILTB nos pacientes com DII assemelha-se à da população brasileira geral, reforçando a importância da adesão às diretrizes nacionais e internacionais em relação à pesquisa de ILTB antes da introdução de imunossupressores e imunobiológicos. A ILTB por definição é assintomática, em nosso estudo não foram demonstradas diferenças entre os grupos com PT positiva ou negativa. Outro desafio, é o tratamento correto da ILTB. Um quarto dos pacientes não completou o tratamento, taxa semelhante à descrita por outros autores (variando entre 21,9 e 37,1%). A prevalência de efeitos adversos foi alta e chegou a 40%, sendo a hepatotoxicidade o principal efeito colateral, indicando que a monitorização da função hepática e transaminases é fundamental.

Conclusão:

A ILTB foi diagnosticada em um quinto dos pacientes portadores de DII. Não houve diferenças entre os grupos com PT positiva e negativa. Houve alta prevalência de efeitos colaterais com a isoniazida e um quarto dos pacientes não completou a quimioprofilaxia.

Palavras chave: Doença Inflamatória Intestinal- Tuberculose Latente- Prova Tuberculínica- Imunobiológico

Referências:

Taxonera C, Ponferrada Á, Bermejo F, Riestra S, Saro C, Martín-Arranz MD, et al. Early tuberculin skin test for the diagnosis of latent tuberculosis infection in patients with inflammatory Bowel disease. J Crohn’s Colitis. 2017;11(7):792–800.

Rahier JF, Magro F, Abreu C, Armuzzi A, Ben-Horin S, Chowers Y, et al. Second European evidence-based consensus on the prevention, diagnosis and management of opportunistic infections in inflammatory bowel disease. J Crohn’s Colitis [Internet]. 2014;8(6):443–68. Available from: http://dx.doi.org/10.1016/j.crohns.2013.12.013

Abreu C, Afonso J, Dias CC, Ruas R, Sarmento A, Magroc F. Serial tuberculosis screening in inflammatory bowel disease patients receiving anti-TNFα therapy. J Crohn’s Colitis. 2017;11(10):1223–9.

 

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