Jornalismo e meio ambiente em tempos de riscos: reflexões sobre a cobertura e os seus profissionais

Vol. 23, 2025 - 342354
Proposta de Sessão Coordenada
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Resumo

A sociedade de riscos impõe uma série de percepções e acontecimentos que alteram e impactam os modos de vida em todo o mundo. Em termos ambientais, também vivenciamos o auge do capitaloceno, em que a crise climática global transformou eventos extremos em desastres cada vez mais frequentes, com impactos geopolíticos, socioeconômicos e humanitários distribuídos de forma profundamente desigual. Diante desse cenário, esta Sessão Coordenada propõe refletir sobre o papel do jornalismo na cobertura de riscos e desastres ambientais, sob a perspectiva da justiça climática. Assim, pressupõe-se a necessidade de incentivar pesquisas sobre a interseção entre a degradação ambiental e as desigualdades estruturais de raça, classe, gênero e território, reconhecendo, portanto, que as populações historicamente vulnerabilizadas são as que menos contribuem para o aquecimento global, mas as que mais sofrem suas consequências agudas.  

Em consonância com o tema central do 24º Encontro da SBPJor, a mesa busca tensionar as práticas profissionais e a produção do conhecimento jornalístico em um ecossistema informativo pressionado por fluxos de desinformação e de negacionismo ambiental deliberado. Interessa-nos acolher pesquisas que investiguem: 1) As estratégias de visibilização (ou invisibilização) dos sujeitos atingidos por desastres e a representação de suas vozes no discurso jornalístico; 2) a cobertura de diferentes cenários e questões da sociedade de risco, tais como o uso intensivo de agrotóxicos, a superexploração da natureza e dos bens de suporte à vida, a contaminação de solo e do ar, a poluição em suas variadas formas, o impacto de tecnologias, incluindo o uso cada vez mais intensivo de Inteligência Artificial. 3) O combate ao negacionismo e às narrativas desinformativas que distorcem dados científicos, desacreditam atores sociais e instituições, para fins de barrar ações de mitigação e adaptação; 4) Os desafios técnico-profissionais, éticos e emocionais de repórteres na cobertura de cenários de risco, crise, trauma e devastação; 5) A análise de arranjos jornalísticos locais, independentes ou comunitários que pautam o meio ambiente a partir do território; e 5) Propostas metodológicas e epistêmicas que renovem a investigação na área.

Com isso, esta sessão pretende mapear como o jornalismo pode atuar não apenas como observador de crises em nossa sociedade. Ao contrário, diante do contexto crítico das questões ambientais, apontamos a urgência em pensar o jornalismo como agente fundamental de mediação democrática, de cobrança por responsabilização política, de valorização da ciência e de outros saberes, tão necessários à construção e à ampliação da justiça social.

 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal de Santa Maria
  • 2 Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Área de Avaliação
  • Sessão Coordenada
Palavras-chave
Jornalismo Ambiental
Justiça Climática
Cobertura de Desastres
Desinformação
Democracia