Entre ruínas e refúgios do corpo-território: testemunho opaco e mediação jornalística em Et la joie de vivre, relato autobiográfico de Gisèle Pelicot

Vol. 23, 2025 - 346432
Sessão Coordenada
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Resumo

 Este artigo analisa Et la joie de vivre (2026), relato autobiográfico de Gisèle Pelicot escrito em colaboração com a jornalista e romancista Judith Perrignon, para compreender como a narrativa reinscreve um corpo atravessado por experiências que excedem a própria memória de Pelicot. A partir de uma leitura situada do corpo como território, articulamos o sujeito dividido, em Jacques Lacan (1977), e o direito à opacidade, em Édouard Glissant (1997), à noção de testemunho opaco. Metodologicamente, realizamos uma análise narrativa do original francês, observando relações entre corpo, memória, espaço, arquivo, visibilidade e mediação. Argumentamos que a crescente legibilidade factual do estupro não elimina a opacidade do sujeito e que a obra faz coexistir ruínas do corpo, da casa e da memória com possibilidades de refúgio e enunciação. Nesse movimento, a mediação jornalística emerge como problema de escuta, autoridade narrativa e limites da apropriação do outro.


 

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Instituições
  • 1 Universidade Federal Fluminense
Área de Avaliação
  • Coordenada - Jornalismos entre ruínas e refúgios
Palavras-chave
corpo-território;
testemunho opaco
mediação jornalística
opacidade
Gisèle Pelicot