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Este artigo analisa as formas de representação das maternidades lésbicas no
telejornalismo brasileiro, compreendendo a mídia como espaço de produção de sentidos
sobre gênero, sexualidade e família. A pesquisa parte do entendimento de que a maternidade,
historicamente vinculada a normas heteropatriarcais, também constitui um campo de disputas por
reconhecimento e legitimidade. A partir dos estudos queer e de comunicação, mobilizam-se
os conceitos de representação, visibilidade, heteronormatividade, performatividade de gênero e
enquadramento jornalístico. Metodologicamente, realiza-se uma análise qualitativa de reportagens
exibidas pela TV Globo e por suas afiliadas, considerando o enquadramento como construção
discursiva e multissemiótica e utilizando a Análise de Conteúdo como procedimento. Os resultados
exploratórios apontam que a visibilidade das maternidades lésbicas é condicionada por formas de
reconhecimento que frequentemente aproximam essas experiências dos modelos tradicionais de
família. Observa-se, ainda, a predominância de narrativas centradas no preconceito e na discriminação,
em detrimento das experiências cotidianas de cuidado e afeto.
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